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MÃES
Maria Augusta
Bittencourt
O coração das mães não descansam, além da morte.
Impossível que o túmulo nos roubasse o tesouro dos afetos.
Seguimos, de perto, as preocupações e trabalhos de todos
aqueles que respiram no círculo de nosso amor.
Aquele carinho e aquela santificada alegria que nos
uniram uns aos outros, na Terra, permanecem cada vez mais vivos, dentro de
nossa alma.
A ventura maternal está representada na posse do amor dos
filhos, que constituem a sua razão de ser.
O jardim, do lar é o tabernáculo divino, onde o homem
pode e deve manifestar os mais nobres valores que recebe da Providência
Divina.
Sem a renúncia materna, a família quase sempre é um
turbilhão de sofrimentos e necessidades indefiníveis e sem fim.
As mães nunca morrem. Não acreditem que os desencarnados
estejam fora das alfinetadas que o mundo impõe às almas.
Sofremos também, com intensidade terrível, de vez que já
não dispomos da carne que nos serve de anteparo às grandes comoções.
Enquanto a vida nos retém no corpo físico, mormente nós,
as mães, anelamos para os nossos rebentos as melhores posições materiais,
entretanto, cedo a morte nos ensina que a luz não brilha na ilusão.
Quando nossos filhos, na Terra, se fazem gente grande e
livre, permanecemos mais a sós, conosco vivendo as reminiscências e
esperanças. Nossa alma, de volta ao passado, surpreende, na senda
percorrida, os quadros que desejaríamos conservar inalterados.
Aqui é um trecho da terra a falar mais particularmente ao
coração, ali é uma voz de criança que ainda ressoa, nítida e cristalina,
aos nossos ouvidos.
Entretanto, é imprescindível tudo deixar, a fim de
atingir a praia distante da purificação.
Nós, as mães, muitas vezes, somos como a hera, agarrada
às paredes da vida.
O amor compele-nos à imantação com numerosas almas que,
no fundo, precisam caminhar por si mesmas.
Quantas de nós são obrigadas a sofrer, anos e anos, além
da morte física, no santo aprendizado do esquecimento?
Acompanhamos nossos filhos como a sombra segue o corpo,
contudo, não conseguimos atingir o nosso ideal de senti-los em plena
harmonia conosco, porque realmente cada alma evolui no plano que lhe é
próprio.
Somos peregrinas, batendo à porta de variados corações,
deles esmolando a alegria da compreensão e do auxílio.
As vezes, choramos em lhes observando a juvenilidade
espiritual, mas, na qualidade de mães, confiamos e esperamos.
Quando a fonte se nega a irrigar a terra pobre, a breve
tempo, reconhecemos o deserto diante de nós.
Se abandonamos a planta menos protegida à visita dos
vermes, a devastação das folhas e das raízes não se fará esperar.
Ainda que as lágrimas sejam o nosso pão de cada dia, não
podemos alterar nosso velho roteiro. Avancemos, pois, mesmo assim.
Livro: “Cartas do
Coração” – Psicografia Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos |