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LOUVEMOS
A DOR
Isabel Campos
O tempo é um
calmante e um amigo, um remédio e uma Bênção.
A existência na
carne é simples passagem por um túnel escuro. E a nossa felicidade nasce,
não dos anos que despendemos ao atravessar o mundo, mas sim dos bens que
dentro dele conseguimos improvisar.
Tudo na carne é como
vemos um dia – manhã cheia de sol, crepúsculo de sombras e noite cerrada
ao nosso olhar.
Felizes daqueles que
acendem estrelas no firmamento do próprio coração, para que a jornada se
torne menos dolorosa, no nevoeiro noturno, que precede a alvorada
seguinte.
Perdoemos a vida e
as criaturas pelas angustias que impuseram à nossa sensibilidade.
As mãos feridas são
mais seguras que os braços habituados a dominar.
As grandes torturas
são grandes bênçãos. No mundo, o nosso sentimento de personalismo não nos
permite essa realidade. Mas a morte opera em nós completa reforma quando
não receamos a verdade tal qual é.
Bendigamos a dor que
zurziu a alma, em todos os passos do dia de ontem. Pouco a pouco,
transformar-se-á o nosso sofrimento no óleo bendito que sustentará a
claridade da candeia frágil de nossa experiência na Terra.
Sem a luta,
dormiríamos na matéria densa, sem qualquer proveito. Deus, porém, que é o
nosso Pai de Infinita Bondade, permite que a aflição os acompanhe, no
mundo, na condição de abnegação instrutora e, com o decurso do tempo,a paz
se converte em nossa companheira para todas as situações e problemas
terrestres.
Estudemos e
trabalhemos sempre mais. Seja a fé religiosa para nós um meio de ajudar a
todos, para que estejamos atuando, e fato, em nome do Cristo, que tantos
dons nos concedeu.
Jamais nos
arrependeremos da obra que vamos levantando, no terreno do nosso próprio
coração – obra de amor, entendimento, humildade e perdão.
A vida responde ao
nosso esforço na mesma intensidade de nosso impulso, na criação do bem.
Esperemos a passagem
dos dias.
Trabalhemos na
sementeira de nossa Consoladora Doutrina, nas duas margens de nossa
estrada para Jesus e guardemos a certeza de que não nos faltará o amparo
do Senhor.
Chegaremos um dia à
praia segura, depois da tempestade. Não será, contudo, o porto enganoso da
vitória na Terra, mas o refugio doce da serenidade e da compreensão, onde
nosso espírito poderá realmente repousar e preparar-se, ante o futuro que
se desdobrará no amanhã.
As sementes do
Evangelho, caídas de nossas mãos, um dia serão árvores robustas e
preciosas, proporcionando-nos alegrias que nossa imaginação não poderá
avaliar, por enquanto.
Identifiquemo-nos
com serviço da Humanidade e, nesse sublime trabalho, encontraremos a força
preciosa para o sacrifício abençoado que nos garantirá a sublime ascensão.
Livro: “Cartas do
Coração” – Psicografia Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos |