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CRISTIANISMO
RENASCENTE
Emmanuel
Meus amigos, muita paz.
Todos os comentários alusivos à evangelização constituem
escasso material expositivo da verdade, à vista das angustiosas transições
que o Planeta atravessa. Realmente, o progresso da inteligência atinge
culminâncias. Todavia, o sentimento do mundo permanece enregelado. Urge
dilatarmos os setores do bem vivido e do amor aplicado com o Cristo, a fim
de atendermos aos compromissos assumidas em época remota. O Espiritismo,
pois, não consiste num sistema de pura indagação científica para que a
filosofia se enriqueça de novos sofismas. Necessário compreendermos em sua
fonte não só o manancial de suprimento às convicções substanciais com
relação à sobrevivência. Nosso intercâmbio pecaria na base se estivéssemos
circunscritos ao campo de mera demonstração da realidade espiritual
através dos jogos do raciocínio. Reduziríamos a doutrina que nos felicita
a simples ministério de informações, sem programas redentores para a vida
superior.
É por isto que jamais nos cansaremos no apelo ao nosso
entendimento para que a Terceira Revelação represente para nós todos a
gloriosa escola de reajustamento mundial no Cristianismo redivivo.
Somos nós mesmos os atares do milenário drama evolutivo. De
século a século, revezamo-nos no trabalho retificador, intentando o
empreendimento da salvação final. Inventamos mil sistemas científicos,
filosóficos e religiosos para definir equações dos enigmas do destino e do
ser; e, embora nossos conclaves políticos e acadêmicos a se repetirem
anualmente através das eras, rematamos sempre as iniciativas das dolorosas
e sangrentas aventuras da guerra. Dominam-nos ainda, considerando
coletivamente o problema, o ódio e o orgulho, a discórdia e a vaidade, com
o seu velho cortejo de misérias, que permutam a máscara, de civilização em
civilização.
Em verdade, porém, se temos sido tolerados pela Clemência
l3ivina, no curso do tempo, é imperativo reconhecer que as leis universais
não foram criadas inutilmente. Vivemos, em razão disso, torturante período
de refazimento e restauração, dentro do qual nossos sentimentos são
convocados automaticamente à percepção e aplicação do Cristianismo, nos
mais comezinhos atas da experiência humana, obrigação essa que somos
compelidos a cumprir, se não quisermos sossobrar nas tragédias coletivas
de que o nosso século se represa. Em outras zonas da Terra, o Espiritismo
ainda não conseguiu alcançar suas finalidades e objetivos. A curiosidade
que é sempre benéfica quando se alia ao trabalho e ao respeito, mas que é
sempre ociosa e perdulária quando não se submete aos impositivos do
serviço nobre, converte-nos o movimento renovador em puro domínio de
consulta indesejável a plano invisível, como se trouxéssemos a detestável
tarefa de suprimir as experiências e lições aos aprendizes. A especulação
é a única atividade que aí prevalece, eliminando-nos precioso ensejo de
cooperação para o reajustamento que o Planeta reclama. Amargurosas
surpresas, contudo, aguardam invariavelmente os companheiros que estimam a
contemplação do fenômeno sem adesão ao esforço reconstrutivo. Nós,
entretanto, tivemos a ventura de ambientar o Evangelho renascente,
exumando-o das cinzas a que foi votado pelo sectarismo e fazendo reviver
as manifestações abençoadas do Mestre Divino, quando a redenção vinha da
humildade sofredora das catacumbas. Como outrora, o mundo se encontra num
dos períodos mais críticos de sua evolução político-religiosa.
Antigamente, o patriciado romano se sentia suficiente-mente
forte para afrontar a tormenta, mas, no fundo, não conseguiu forrar-se às
conseqüências funestas do espírito odioso de dominação indébita. E hoje,
enquanto poderosas nações da Terra presumem exercer funções de hegemonia,
eis que a renovação compulsória do mundo exige o devotamento daqueles que
se ligam a Deus através do caráter enobrecido pela fé e pela virtude. Com
semelhante enunciação, não desejamos, de modo algum, invadir a seara de
vossas ações, no campo evolutivo.
Não fomos, vós e nós outros, convocados à mordomia dos bens
que se transferem de mão em mão, no tesouro perecível da Terra. Recebemos
o ministério da luz espiritual e não podemos esquecer que, se milhões de
irmãos nossos podem recorrer à palavra “direito” nos círculos do mundo, a
nós todos cabe com Jesus o “dever”, simplesmente o dever, de servir em seu
nome sem exigências. Estejamos, pois, atentos às obrigações que nos foram
deferidas. Iniciemos, cada dia, novo trabalho de evangelização em nós
mesmos, estendendo esta atividade aos que nos cercam.
A Doutrina abre-nos gloriosas portas de colaboração
fraternal. Perdendo na esfera da posse transitória, ganharemos sempre nas
possibilidades de conquistar a luz imperecível. Não duvideis. Movimentos
enormes da discórdia humana se processam instante a instante, enquanto as
armas descansam ensarilhadas. A guerra, com a sua corte de aflições e de
angústias, não cedeu ainda um centímetro de terreno ao edifício da paz
verdadeira, porquanto o ódio e a crueldade permanecem instalados no
coração humano. Não esperemos o êxtase da Nova Aurora, mantendo-nos no
círculo estreito da crença inoperante. Se o Senhor nos conferiu olhos para
o deslumbramento e ouvidos para a harmonia, deu-nos igualmente coração
para sentir, mãos para agir, mente para descortinar, obedecer e orientar.
A obra da Criação Terrestre foi edificada, mas ainda não terminou. Milhões
de missionários do progresso humano em si laboram ativamente nos campos
diversos em que se subdivide a prosperidade do conhecimento. Nós outros,
contudo, fomos conduzidos ao santuário para a preservação da luz divina.
Mantenhamos, pois, novas lâmpadas acesas e acima da perquirição coloquemos
a consciência.
A hora é significativa e impõe tremenda luta. Só os filhos
da renúncia poderão atender, tanto quanto é preciso, à expectativa da
esfera superior.
Não convertamos nosso esforço, todavia, em coro de
lágrimas. Entendamos a gravidade do minuto, entretanto, elevemos o coração
ao sol da confiança em Cristo. Sejamos fiéis trabalhadores de sua causa na
Terra. Traços que saís de intercâmbio entre os dois planos, não vos
prendais excessivamente ao vale escuro que nos prende os pés. Fixai a
mente nos círculos sublimes onde se localizam as fontes que vos suprem de
energia.
E, irmanados uns aos outros, no mesmo labor santificante,
marcharemos para a frente, identificados n’Aquele que ainda e sempre
repete para nossos ouvidos frágeis – “eu sou o caminho, a verdade e a
vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Do livro Cartas do coração. Psicografia de Francisco
Cândido Xavier. |
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