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A
SEGUNDA MILHA
Emmanuel
“E se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele
duas”.
Jesus – Mateus, 5:41
As milhas a que se reportam os ensinamentos do Mestre são
aquelas de nossa jornada espiritual, no processo de elevação, cada dia.
Aprende a ceder para os outros, se desejas realmente
ajudar.
Não regenerarás o criminoso atormentando-lhe o campo íntimo
com chibatadas verbais, não corrigirás o transviado à força de imposições
humilhantes e nem conquistarás a confiança curativa do enfermo,
aprofundando-lhes as próprias chagas.
Em qualquer problema que alcance as raízes da alma, é
imprescindível penetrar o núcleo vivo de elaboração do pensamento e aí
depositar a bendita semente da simpatia, a favor da solução necessária.
Vencer sem convencer é consolidar a discórdia.
Indispensável marchar em companhia dos outros, onde os
outros lutam e choram, a fim de que possamos ampará-los com eficiência.
Quem poderia entender o Cristo se o Mestre, longe de descer
à Terra, usasse uma tribuna de luz, dirigindo-se do Céu distante aos
homens?
Para a renovação de sentimentos alheios, única medida
suscetível de estabelecer o progresso espiritual e fundamentar a paz, é
imprescindível aprendamos a caminhar com os semelhantes no terreno das
concepções que esposam para que a discussão esterilizante não elimine os
embriões de fraternidade e confiança que prometem a vitória do amor e da
luz.
Não basta, porém, concordar secamente, como quem se
desvencilha de um fardo desagradável. É preciso “caminhar com o próximo”,
confraternizando. Ainda mesmo quando estejamos em companhia de um
delinqüente, adotemos por guia a piedade edificante, que auxilia sem
qualquer exteriorização de superioridade.
Deixa que teu irmão te confie os próprios amargores, sem
mágoa, sem espanto e sem revolta. Estende às mãos seguras e bondosas aos
que tombaram. Aprende a descer para ajudar. E então a tua voz será
convenientemente ouvida, porque terás caminhado, em benefício do
companheiro ignorante, fraco, perturbado ou sofredor, aquela “segunda
milha” das eternas lições de luz.
Do livro Cartas do coração. Psicografia de Francisco
Cândido Xavier. |