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UM ADEUS
Meu filho, aí estão, nas
minhas cartas despretensiosas, as primeiras impressões do meu espírito na
vida do Além-Túmulo.
Por mais que me
esforçasse, não pude ser fiel nas minhas descrições referentes ao aspecto
que formam os ambientes dos desencarnados.
Objetos e panoramas, que
não se coadunam com as coisas conhecidas na Terra, é natural que
permaneçam alheios à compreensão do homem e daí surge a dificuldade para
que a alma liberta se manifeste com o objetivo de esclarecer as criaturas
terrenas quanto à vida extracarnal.
Minhas páginas refletem
justamente o panorama dos planos da erraticidade no desenrolar da última
catástrofe mundial, que enlutou milhares de corações, quando se verificou
o meu afastamento da vida material. Elas podem, aos olhos dos incrédulos,
estar repletas de afirmações audaciosas e pouco acessíveis ao
entendimento. Mas a morte é soberana e um dia os crentes e os descrentes
atravessarão os caminhos da vida errática e hão de se certificar no
sentido das coisas espirituais.
Ao fim dessa série de
minhas elucubrações, dou graças a Jesus por havê-las conseguido e ao
caridoso Guia, que me auxiliou na exposição das idéias, ajudando-me nas
deficiências da minha incultura.
Nos momentos em que me
aproximava de ti para escrever, sentia-lhe a salutar influência,
ditando-me trechos inteiros para que eu os transmitisse com a fidelidade
possível.
Vezes inúmeras corrigia a
pobreza das minhas faculdades de expressão e a ele devo o que pude grafar
por teu intermédio.
Possivelmente, meu filho,
mais tarde prosseguirei escrevendo algo de novo; contudo, enquanto se cale
a minha voz, continua desempenhando a tarefa que se foi confiada, fazendo
jus ao salário do bom trabalhador.
Nós sabemos o quanto tens
sofrido no cumprimento dos teus deveres mediúnicos.
Sacrifícios, dificuldades
e provações, inclusive os espinhos aguçados, que polvilham as tuas
estradas, tudo isso representa o meio de redenção que a magnanimidade do
Senhor nos oferece na Terra, para o nosso resgate espiritual.
Suporta pois
corajosamente, com serenidade cristã, os revezes da tua existência.
Exerce o teu ministério,
confiando na Providência Divina.
Seja a tua mediunidade
como harpa melodiosa; porém, no dia em que receberes os favores do mundo
como se estivesses vendendo os seus acordes, ela se enferrujará para
sempre. O dinheiro e o interesse seriam azinhavres nas suas cordas.
Sê pobre, pensando
n’Aquele que não tinha uma pedra onde repousar a cabeça dolorida e, quanto
à vaidade, não guardes a sua peçonha no coração. Na sua taça envenenada
muitos têm perdido a existência feliz no plano espiritual como se
estivessem embriagados com um vinho sinistro.
Não encares a tua
mediunidade como um dom.
O dom é uma dádiva e ainda
não mereces favores do Altíssimo dentro da tua imperfeição.
Refleti que, se a Verdade
tem exigido muito de ti, é que o teu débito é enorme diante da Lei Divina.
Considera tudo isso e não
te desvies da humildade.
Nos tormentos transitórios
da tua tarefa, lembra-te que és assistido pelo carinho dos teus Guias
intangíveis.
Nas noites silenciosas e
tristes, quando elevas ao Ilimitado a tua oração, nós, estamos velando por
ti e suplicamos a Deus que te conceda fortaleza e resignação.
A vida terrena é amarga,
mas é passageira.
Adeus, meu filho!...
Dentro de todas as hesitações e incertezas do teu viver, recorda-te que
tens neste outro mundo, para onde voltarás, uma irmã devotada que se
esforça para ter junto dos filhos, que deixou na Terra, o mesmo coração,
extravasante de sacrifício e amor.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |