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UMA VISITA À TERRA
Eu quis, então, ver o orbe
terráqueo, dos lugares onde o ar rarefeita se perde nas extensões infinita
e viventes do éter. Desejava saber se eu poderia ver o planeta em seus
movimentos rotatórios, porém o que senti em tão grandes alturas foi um
imenso torvelinho, como se as atmosferas fossem agitadas por furações
destruidoras.
Muito abaixo vi massas
informes e indistintas... Aproximando-me gradativamente contemplei a Terra
que se afigurou não um ponto móvel no espaço, porém fixo e obscuro. Muito
ao longe, ainda vi nessa mancha escurecida, que se ia avolumando, alguns
detalhes como nesgas cinzentas e outras claras como espelhos gigantescos:
eram as grandes cidades e os oceanos que eu tinha sob as vistas
deslumbradas. A ação do sol dava a tudo isto um tom maravilhoso; todavia,
aproximando-me mais, experimentei indescritível medo. Não vi o movimento
de rotação do orbe; o que me amedrontava é que me parecia aportar em uma
grande esfera líquida, cujas extremidades se perdiam numa substância
leitosa, com relação à cor, porque eu não podia ponderar a sua estrutura
íntima.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |
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