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SATURNO, DOS MARES ROSADOS ...
Nesse instante reparei que
o dia se findava no hemisfério em que nos achávamos, desaparecendo o globo
azulado e longínquo do sol nos horizontes desse mundo prodigioso; seu
brilho esmaecia e, quando o reflexo cerúleo se observava em todas as
coisas, um cenário esplendoroso e inenarrável descerrou-se ao meu olhar
atônito. Nas imensidades do éter acendeu-se o lampadário maravilhoso;
afigurava-se que uma auréola de chamas, lindamente coloridas, coroava esse
orbe encantado, em meio às luas fulgurantes, que me pareciam
vitórias-régias, resplandecendo num mar de suavíssimas claridades.
Locomovemo-nos em
determinada direção e qual não foi o meu espanto ao deparar com grande
massa de substância fluídica, um pouco semelhante à água levemente rosada,
elucidando o meu prezado mentor tratar-se dos mares saturninos, enquanto
apreciava as fontes encantadas e os lagos róseos como se fossem encravados
em geleiras alvíssimas.
Observei, então, um quadro
indescritível; bem no cume de um monte, que parecia de neve, certo palácio
de colunas preciosas energia de uma alcatifa de flores.
Resplandeciam os anéis
luminosos no firmamento e grande multidão ali se reunia em atitude de
recolhimento e prece.
Vi, então, elevar-se aos
céus constelados uma onda de luminosidades feérica e, da amplidão azul,
onde evolucionavam os lindos satélites desse orbe de sabedoria e ventura,
um jorro de sol desceu sobre aqueles seres silenciosos e recolhidos.
Era a correspondência
visível entre dois planos...
Nesse instante, porém, o
desvelado mentor me arrancou do êxtase em que me achava. Saí então,
daquela atmosfera densa, mas cheia de encantamentos e de maravilhas,
levando comigo a visão eterna daquele celeste orbe de harmonia e beleza,
que se afigurou, ao meu espírito acanhado e imperfeito, como prodiosa
estância de perfeições do Universo.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |