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AMARGURA E ALEGRIA,
SAUDADE E JÚBILO
Maria João de
Deus
Despertei novamente e vi-me ao lado de uma
legião de seres, que se achavam genuflexos como eu. Já outro, porém, era o
templo no qual me encontrava. Havia um recinto amplo e majestoso,
construído à base de elementos que não é possível qualificar, por falta de
termos equivalentes no vocabulário humano. Nesse magnificente interior não
existia determinado santuário para orações, mas, sim, obras de arte
sublime, destacando-se uma tribuna formada de matéria luminosa, como se
fosse feita de névoa esvaecentes. Ouvia-se, provinda de um coro dulcíssimo
de vozes meigas e cristalinas, uma prece ao Criador, repleta de harmonias
e de excelsitudes. E aquele cântico melodioso era mais um ciclo de asas ou
murmúrio de favônios unindo as pétalas das flores.
Aí, mais do que nunca, relembrei dos afetos
que me ligavam ao lar; e um incoercível receio inundou o meu espírito,
amedrontado ante a perspectiva de separação eterna, porque, após as
incertezas e as agonias da morte, eu sabia ter sido arrebatada para um
local distante, a menos que estivesse possuída de extremas alucinações.
De onde provinham aquelas cadências
harmoniosas de cavatina celeste, que me faziam vibrar de emotividade até
às lágrimas?
Então, toda minh’alma chorava de amargura e
alegria; havia em meu coração um misto de saudade e júbilo inexprimíveis.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |
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