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AH! EU
MORRERA
Maria João de
Deus
Descerrou-se, finalmente, o derradeiro véu
que obumbrava o meu ser pensante... Senti-me sã, ativa, ágil, como se
despertasse naquele instante... Ah! Eu morrera...
E a morte representava um grande bem,
porque eu me sentia outra, trazendo as faculdades integrais, plena de
favoráveis disposições para as lutas da vida. Todavia tinha a impressão de
estar só, já que ninguém respondia às minhas argüições, embora percebesse
que a minha voz nada perdera de seu vigor e tonalidade.
Propositalmente procurava fazer-me vista
por todos, mas uma impossibilidade perturbadora correspondia aos meus
pensamentos. Refugiei-me, então, nas mais sinceras e fervorosas preces.
Foi quando comecei a divisar vultos sutis e ouvir vozes acariciadoras, das
quais fugia amedrontada e receosa, na ilusão pueril de que me achava com o
corpo físico, trânsita de medo e suscetibilidades...
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |
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