|
|
NA FALANGE DOS ESPÍRITOS BENIGNOS
Terminada que foi a alocução,
pronunciada com a mais sagrada das eloqüências e que, de modo geral,
imperfeitamente reproduzo, com os meus olhos nublados de pranto, ouvi os
soluços de muitos dos circunstantes, que choravam sob o império da mais
forte emoção.
Então oramos, acompanhando os
inspirados impulsos daquele enviado celeste, que procurava incutir-nos a
fé, a esperança e a resignação, através das suas palavras compassivas e
piedosas.
Um luar indescritível,
projetando-se na tribuna que lhe guardava ainda a luminosa figura, banhou
as nossas frontes, e pude observar que a atmosfera se impregnava de
capitoso perfume. Percebi ainda que, sobre as naves encantadas do templo,
profundamente caíram flores iguais às rosas terrenas, mas que se desfaziam
ao tocar em nossas cabeças como taças fluidas de luminosidade e de aroma.
Ah, como chorei naquele dia!
Minh’alma frágil se comovia sob indômita emotividade; mas, desde aquele
instante, incorporei-me à grande falange dos espíritos benignos que
mourejavam em suas tarefas ao lado da Terra, trabalhando pelo bem dos seus
semelhantes, beneficiando-se simultaneamente no mais útil dos
aprendizados.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier |
|