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PROBLEMAS
INQUIETANTES
Francisco Cândido Xavier
Antes de nossa reunião habitual, vários companheiros de
ideal espírita, notadamente pais e mães, debatiam assuntos alusivos às
inquietações sexuais da atualidade. Falavam da necessidade de chegarmos,
todos nós, a uma posição de equilíbrio, na qual o problema em causa não
seja portador de perturbações. Depois da prece habitual para o início das
tarefas, O Livro dos Espíritos nos ofereceu a exame a questão número 200,
relativa ao assunto. Após a explanação de amigos participantes, o nosso
caro Emmanuel nos deu a página "Diálogo e Sexo".
DIÁLOGO E SEXO
Emmanuel
Justo prosseguirmos colaborando nos empreendimentos que
visem a preservar o equilíbrio no relacionamento sexual. Liberdade sem
compromisso impele a desregramento e desregramento gera destruição.
Entretanto, é preciso acreditar no poder da compreensão e
da tolerância, a fim de que venhamos a auxiliar aos nossos companheiros de
caminhada evolutiva, através do diálogo fraterno, capaz de banir a
condenação dos nossos processos de vivência.
*
Muito fácil observar negativamente o comportamento alheio,
quando esse comportamento deixa; a desejar.
Antes, porém, de estabelecer a censura ao redor de alguém,
determina a justiça indaguemos de nós próprios o que teremos feito a fim
de amparar esse; alguém, para que não caísse ou se transviasse.
*
Diante de pessoas queridas que te surjam trazendo problemas
afetivos, arma-te de paciência e de entendimento, de modo a socorrê-las
sem azedume ou reprovação.
Importa considerar que os erros dos outros poderiam ser
nossos, reconhecendo-se que ainda não possuímos natureza de ordem
superior; que provavelmente amanhã seremos defrontados pelas situações
difíceis em que amigos nossos se emaranharam; que ignoramos, de todo, se
nos alcançarão em breve as afeições de existências pretéritas, a fim de
nos examinarem a capacidade de amar em nível superior; e desconhecemos se
pessoas amadas, de futuro, estarão envolvidas em questões sentimentais,
dependendo ainda de nosso concurso para se garantirem na precisa
sustentação.
Por tudo isso, e muito mais, isto é, em razão dos ditames
da lei de amor que nos traça a obrigação do acatamento e do amparo mútuos
em nossas dificuldades, compadece-te mais intensamente do perus, quando o
próximo te procure demonstrando questões do sexo doente ou menos feliz. E
convence-te de que, por enquanto, não será unicamente enviando os seres
queridos a instruções, fora de teu ambiente particular, que lhes
solucionarás os problemas.
*
Ante as inquietações afetivas, naqueles que te compõem a
equipe familiar, enternece-te e auxilia-os, pela conversação compreensiva
e fraternal de quem se coloca no lugar deles, de modo a apreender-lhes as
provações e os sofrimentos.
Sem apoiar o desequilíbrio, mas sem fugir ao apreço que nos
devemos uns aos outros, saibamos raciocinar com todos eles, mostrando-lhes
o impositivo da disciplina a que todos somos obrigados no espaço e no
tempo, se quisermos ser realmente felizes;
destaquemos a dignidade do trabalho por base do respeito
que nos cabe tributar à própria consciência; mostremos que a independência
só existe pelo dever nobremente cumprido; e exaltemos a lealdade por fator
indispensável da paz e da alegria, ante os princípios de causa e efeito
que, a todo instante, nos restituem aquilo que damos de nós no campo do
destino.
E, usando o diálogo amigo e edificante por terapêutica de
que todos somos necessitados, compreendamos que os desajustes do
sentimento, acima de tudo, unicamente desaparecem, de todo, quando
tratados pelos recursos do coração.
Livro: Caminhos de Volta - Psicografia: Francisco C. Xavier - Espíritos
diversos
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