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RENOVAÇÃO
EM TODA PARTE
Francisco Cândido Xavier
Precedendo a nossa reunião, a palestra geral dos amigos em
nossa instituição versava sobre os conflitos e crises do nosso tempo.
Dificuldades no esclarecimento das criaturas entre si, idéias novas em
choque com as idéias tradicionais, lutas no campo da família e
perplexidades impostas pela renovação em toda parte.
Amigos diversos simbolizavam o estado atual do mundo por
verdadeira tempestade. 0 Livro dos Espíritos nos trouxe para estudo a
questão 799. O assunto foi amplamente debatido. E, ao findar a reunião, o
nosso caro Emmanuel compareceu com a página "Refugiados".
REFUGIADOS
Emmanuel
Em Doutrina Espírita falas de calamidades e tempos
difíceis, simbolizando a própria situação como sendo a de alguém que se vê
ante o rigor da tempestade.
E, ao mesmo tempo, regozijas-te com a fé, a cujo clarão te
iluminas, à feição da pessoa que se reconhece sob teto seguro.
Não te esqueças, assim, dos companheiros expostos à
intempérie, que te batem às portas do coração.
Chegam de todas as procedências.
Trilharam caminhos ásperos à procura de entendimento.
Alcançam-te as “áreas de trabalho, buscando apoio que os
livre da insegurança.
Muitos deles mostram os pés sangrando a recordarem os
espinheiros em que se enrodilharam pelo cansaço extremo ;
outros trazem as mãos calejadas no esforço com que se
escoraram em pedras rudes por agentes de salvação ;
outros ainda se envolvem no frio do pessimismo, haurido ao
contato de almas imaturas que lhes responderam aos testemunhos de afeto a
golpes de incompreensão ;
muitos exibem chagas de sofrimento a remanescerem das lutas
travadas consigo esmos, para não se marginalizarem na delinqüência ;
surgem outros muitos revelando inibições complexas que
adquiriram no trato com as desilusões que lhes abafaram as esperanças e
outros muitos ainda carregam o cérebro dementado pela angústia
cristalizada no espírito ante a força das provas a que se viram sujeitos.
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Se a luz da Doutrina Espírita já te alcançou a existência,
não desprezes e nem reproves os irmãos que te abordam o campo de ideal e
de ação, entremostrando sinais e feridas, lembrando os caminhos obscuros
em que transitaram.
Recorda que o Cristo nos chamou para auxiliar.
Acolhe-os como puderes e faze-lhes o bem que possas.
São refugiados em tua construção de fé sem serem ainda
viajores de espírito perfeito.
Qual nos ocorre, erigem-se por agora à posição de criaturas
em evolução, entre erro e acerto, sombra e luz.
E se alguém te recriminar porque lhes estendas braços
fraternos, insiste no bem e estende o bem, recordando as palavras do
próprio Cristo quando asseverou não ter vindo à Terra para curar os sãos.
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Livro: Caminhos de Volta - Psicografia: Francisco C. Xavier - Espíritos
diversos
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