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CONSIDERAÇÕES
DE KARDEC
Francisco Cândido Xavier
Em várias conversações tivemos ocasião de comentar os
noticiários da imprensa sobre demônios e exorcismo. O assunto vem sendo
muito debatido. E nós, também, num grupo grande de companheiros, não
escapamos às opiniões sobre essas ocorrências.
Acontece que, em nossa reunião pública, O Livro dos
Espíritos nos ofereceu a questão 131 para os estudos gerais e o nosso caro
Emmanuel escreveu a página ”Demônios e Exorcismo".
O nosso amigo espiritual trata do tema, expressando-se nas
mesmas considerações de Allan Kardec.
DEMÔNIOS E EXORCISMO
Emmanuel
Em vários setores da atualidade revive-se a figura do
demônio, no estilo da Idade Média, e articulam-se processos de exorcismo a
fim de lhe conjurar a presença.
Entretanto, no assunto, vale revisar os conceitos
kardequianos emitidos há mais de um século.
Demônios, no sentido que a civilização corrente empresta ao
vocábulo, não são seres votados pela Sabedoria Divina à prática do mal, e
sim espíritos humanos que se desequilibraram em atitudes infelizes perante
a vida. Podem estar domiciliados em faixas de sombra do Mundo Espiritual,
em correlação com o Plano Físico ou em núcleos residenciais da Terra
mesmo. Desencarnados e encarnados.
E, para entendermos o exorcismo, basta que nos detenhamos
no estudo da hipnose e do reflexo condicionado para recolher as melhores
conclusões quanto ao poder da influência.
*
O homem sempre necessitou de apoiar-se em símbolos de amor
e fé, autoridade e responsabilidade para facear com segurança as forças
que se lhe conservam desconhecidas.
Tanto na paisagem terrestre, quanto na paisagem espiritual,
seja no estágio físico ou nos períodos de tempo, antes e depois da
permanência no corpo de matéria mais densa, a personalidade humana, em
determinados degraus da estrada evolutiva, frenará os impulsos de
agressividade exagerada ou buscará encorajamento nas próprias fraquezas,
em sinais e palavras, imagens e sons que lhe recordem os dispositivos de
proteção mental a que habitualmente se submeta ou recorra, nos lances das
próprias experiências.
À vista disso, é fácil compreender que a pessoa humana,
quando fora das leis de harmonia e burilamento que nos regem os destinos,
será sempre uma criatura de emoções transitoriamente deterioradas, criando
tribulações no lugar em que se encontre.
E, por outro lado, não é difícil perceber que o exorcismo,
na base dos agentes magnéticos e dos valores da memória, é sempre uma
alavanca de emergência capaz de remover influências infelizes.
Na raiz do problema, em suma, encontramos a necessidade de
considerar os chamados “espíritos das trevas” por irmãos verdadeiros,
requisitando compreensão e auxílio a fim de se remanejarem do desajuste
para o reequilíbrio neles mesmos. Entendendo-se ainda que o melhor e mais
alto processo de transformá-los, em definitivo, será sempre a prática do
amor, através da qual todos nós, os espíritos em evolução no campo
terrestre, estamos sendo orientados, treinados, instruídos, educados e
sublimados pela abnegação incessante dos Sábios Angélicos da
Espiritualidade, em nossa marcha progressiva para Deus.
Livro: Caminhos de Volta - Psicografia: Francisco C. Xavier - Espíritos
diversos
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