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CONSULTA
AOS ESPÍRITOS
Francisco Cândido Xavier
Temos recebido, de várias procedências, acenadas por amigos
nossos, solicitações endereçadas aos Benfeitores Espirituais a respeito da
cremação. Isso tem sido objeto de muitas conversações nossas.
Na reunião de ontem, O Livro dos Espíritos nos deu para
estudo a questão 164. Nos comentários veio à tona a mesma interrogação: o
que dizem os amigos desencarnados sobre a cremação ao invés do
sepultamento dos mortos? No final de nossas atividades nosso caro Emmanuel
escreveu sobre o assunto a página "Cremação".
CREMAÇÃO
Emmanuel
De quando em quando, amigos da Terra nos inquirem com
respeito aos resultados possíveis da cremação que tenhamos porventura
experimentado após o afastamento do corpo denso.
E efetivamente o assunto se reveste de significação e
proveito, pelas repercussões do processo crematório no plano espiritual.
Por muito se examine, no mundo, a presença da morte física,
conferindo-se-lhe foros de igualdade em quaisquer circunstâncias, o óbito
não é idêntico no caminho de todos.
Qual ocorre no berço, quando o renascimento estabelece
condições diferentes, do ponto de vista orgânico, para cada um de nós, a
separação do veículo terrestre está revestida de características originais
para cada indivíduo. Além da existência comum na Terra, nem todas as
criaturas se observam imediatamente exoneradas da inquietação e do trauma,
da ansiedade ou do apego exagerado a si próprias.
Temos companheiros que, na desencarnação pelo fogo se
liberam de improviso de qualquer conexão com os recursos que usufruíram na
experiência material. Entretanto, encontramos outros, em vasta maioria,
que embora a lenta desencarnação progressiva que atravessaram, se
reconhecem singularmente detidos nas impressões e laços da vida material,
notadamente nas primeiras cinqüenta horas que se seguem à derradeira
parada cardíaca no carro fisiológico. Fácil observar, em vista disso, que
o período de espera, no espaço razoável de setenta e duas horas, entre o
enrijecimento do corpo físico e a cremação respectiva, é tempo valioso
para a generalidade de todos aqueles que se encontram em trânsito de uma
vida para outra.
Isso é compreensível porque se muitos irmãos dispensam
semelhante cuidado, desde os primeiros instantes de silêncio no cérebro,
outros, aos milhares, se observam vinculados aos tecidos inertes de que já
se desvencilharam, no anseio, embora vão, de revivescê-los. À face do
exposto, nós, os amigos desencarnados, nada poderíamos aventar
fundamentalmente contra a cremação. No entanto, entendendo que os nossos
amigos - os homens da Esfera Física - ainda não dispõem de instrumento
para analisar os graus de extensão e de intensidade do relacionamento
entre o espírito recém-desencarnado e os resíduos sólidos que lhes
pertenceram no mundo, consideramos justo que se lhes rogue o citado
período de repouso, a favor dos chamados mortos, em câmara fria que lhes
conserve a dignidade da forma. Depois disso o sepultamento ou a cremação
nada mais representam, para a alma, que a desagregação mais lenta ou mais
rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se
libertou.
Livro: Caminhos de Volta - Psicografia: Francisco C. Xavier - Espíritos
diversos
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