|
RESSENTIMENTO
Emmanuel
O ressentimento não é
somente um peso morto, à feição de chumbo na flama alígera de nossa
prece, compelindo-a a descer, anulada, nas sombras da frustração, e, em
verdade, nem é apenas o tóxico que envenena a membrana gástrica,
provocando moléstias de abordagem difícil...
É também o fermento
da treva que, a exteriorizar-se de melindres inconseqüentes, avança qual
projétil invisível sobre companheiros invigilantes, debuxando as linhas
de lama em que a maledicência e a calúnia proliferam sem peias, ferindo
almas e consciências, tanto quanto depredando ou destruindo instituições
generosas e veneráveis que nos rogam compreensão e devotamento a fim de
que produzam redenção e progresso no campo da Humanidade.
Cada vez que o
desgosto te bata à porta, aprende a esquece-lo com toda a alma.
Lembra-te de que todos somos devedores insolventes da Tolerância Divina
e que, por isso mesmo, em nossas imperfeições e fraquezas, não
prescindimos da caridade recíproca, a fim de que nos mantenhamos de pé.
Jamais olvidemos quão profunda é a nossa dificuldade para retificar em
nós mesmos as qualidades que nos desagradam nos outros e banhemos o
pensamento no grande amor, para que a fraternidade real nos abençoe o
caminho.
Seja qual for o grau da ofensa recebida, não te esqueças de que somente
a fonte do perdão irrestrito possui bastante poder para extinguir o lodo
da miséria e da ignorância, porquanto, pretendendo fazer-nos justiça,
com a força das próprias mãos, invariavelmente caímos na delinquência e
no desespero que nos agravam a detenção nas cadeias do crime ou nas
algemas da crueldade.
Fonte: Livro
Caminho Espírita – Psicografia: Francisco Cândido Xavier.
|