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PEQUENO APÓLOGO
Emmanuel
Com respeito à luz do
Evangelho que nos compete estender, a favor de nós mesmos, contou velho
sábio antiga lenda que buscaremos sintetizar.
A certo país
vergastado de fome, concedeu o Divino Pomicultor valiosas sementes de
amor e redenção, cujo trato esmerado traria a toda gente benefícios
essenciais.
As sementes, no
entanto, robustas e enceleiradas, revelavam-se tão belas que provocaram
aluviões de anseios e idéias, palavras e teorias naqueles corações em
necessidade.
Em êxtase, a multidão
consagrou-lhes tempo e cuidado no que se referia à pura contemplação.
Botânicos eminentes
vieram de muito longe lhes examinar a contextura, escrevendo enormes
tratados quanto às virtudes de que se faziam portadora. Geneticistas de
prol auscultaram-lhes os princípios, destacando-lhes a nobreza. Pintores
exímios fixaram-lhes a imagem preciosa, escultores imitaram-lhe a forma
divina, poetas cantaram-lhe a beleza, oradores dedicaram-lhes primosos
discursos e longas turbas de crentes agradecidos ajoelharam-se ante o
excelso legado, em adoração mística e perene...
Enquanto isso passou
o tempo multiplicando os casos de inanição e morte...
Vendo que a nação
operosa e fiel desfalecia à míngua de socorro e alimento, mandou o
Eterno Amigo que viessem ao campo lavradores humildes que as plantassem
ao preço de fadiga e suor, para que o pão e a fé restaurassem a vida.
No apólogo singelo
notamos a aflição da palavra excessiva, sem exemplo que ajude.
Saibamos, pois, na
Terra cultivar o Evangelho em nossos próprios atos, porque somente
assim, à custa de trabalho e esforço constante, faremos rebrilhar a
palavra do Cristo, valorizando o verbo perante o mundo enfermo que roga
paz e luz.
Fonte: Livro
Caminho Espírita – Psicografia: Francisco Cândido Xavier.
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