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MEDIUNIDADE E
DÚVIDA
Emmanuel
Quando a sombra da dúvida se interponha entre o campo de ação e a tua
faculdade medianímica, contempla o necessitado que te espera o serviço.
Se fosses o companheiro sob o guante da enfermidade, qual se lâminas de
fogo lhe cortassem as vísceras, agradecerias as mãos que se erguessem,
generosas, no passe magnético em teu benefício.
Se fosses o irmão que exibe a epiderme em largas feridas, como se
envergasse roupa nodulada de chagas, mostrarias imensa gratidão aos
dedos que te ofertassem o fluido restaurador.
Se fosses o alienado mental de que tanta gente se afasta, tomada de
inquietação, decerto acolherias por bênção do Alto a exortação que te
ajudasse a superar o desequilíbrio.
Se fosses a pessoa desesperada, nas últimas fronteiras da resistência à
beira do suicídio ou do crime, revelarias reconhecimento profundo a quem
te desse a frase de apaziguamento, sustando-a a queda.
Se fosses pai ou mãe, esposo ou esposa, filho ou amigo da criatura
presa nas malhas da obsessão, agradeceria, feliz, a palavra renovadora
de quem se expressasse na tarefa do auxílio.
Se fosses o doente, na ansiedade comatosa da despedida, abraçarias por
recurso divino a prece amiga de quem te doasse serenidade e esperança
para a viagem da morte.
Se trouxesses a dor contigo, não vacilarias em acreditar que o próximo
tem a obrigação de estender-te consolo e enfermagem, compreensão e
remédio.
O escrúpulo é naturalmente compreensível toda vez que o mal nos
espreite os movimentos; contudo, ante o socorro correto à necessidade
dos outros, o escrúpulo, quase sempre, é válvula à exaltação da
preguiça.
Quem despende mínimo esforço no bem, recebe todo o apoio do Bem Eterno,
assim como a tomada humilde e fiel recolhe da usina toda a força de que
se mostre capaz.
Se dúvidas do nosso dever de auxiliar os semelhantes, através da
mediunidade, observa a obra imensa do Evangelho e pensa no que seria de
nós, se Jesus houvesse duvidado de Deus.
Fonte: Livro
Caminho Espírita – Psicografia: Francisco Cândido Xavier.
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