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DESGOSTO
Emmanuel
Referimo-nos habitualmente aos desgostos da vida como se nada mais
tivéssemos que pensar.
Tal
ocorrência sobrevém, de vez em que, em nossas atuais condições evolutivas,
somos ainda propensos a fixar o coração nos fenômenos do mal, extremamente
desmemoriados quanto ao bem, à feição de pessoa que preferisse morar dentro
de uma nuvem, à frente do sol.
Ligeiro
mal-estar obscurece-nos a harmonia interior e adotamos regime de aflição que
acaba por atrair-nos moléstia grave...
Isso
porque apagamos da lembrança os milhares de horas felizes que lhe
antecederam o aparecimento, sem perceber que o incômodo diminuto é aviso da
natureza a que retomemos posição de equilíbrio.
Breve
desajuste no lar interrompe-nos a alegria e desvairamo-nos em revolta,
instalando, às vezes, perigosos quistos de malquerença, no organismo
familiar...
Isso porque quase nunca
relacionamos os tesouros de estabilidade e euforia com que somos favorecidos
em casa, longe de observar que o problema imprevisto expressa bendita
oportunidade de consolidarmos o amor e a tranqüilidade no instituto
doméstico.
Um
companheiro nos deixa a convivência e deitamos longas teorias, acerca da
ingratidão, estabelecendo complicações de profundidade...
Isso
porque olvidamos as afeições preciosas que nos enriquecem os dias,
incompetentes que nos achamos para concluir que o amigo, tangido pelas
forças espirituais com que se afina, terá buscado o tipo de experiência mais
adequada aos próprios impulsos com vantagem para ele e proveito nosso.
Insignificante desentendimento reponta na esfera profissional e exageramos o
acontecido, lançando perturbação ou incrementando a desordem...
Isso
porque muito dificilmente ligamos justa importância aos dotes inúmeros que
recolhemos do nosso campo de trabalho, inábeis para reconhecer que o
destempero havido é o ensejo de proteger e prestigiar a organização a que
fomos chamados, em favor de nós mesmos.
Desgosto
até efetivamente para o coração, como a poda para a árvore.
Se
dissabores nos visitam, recordemos que a vida está cortando o prejudicial e
o supérfluo, em nossas plantas de ideal e realização, a fim de que possamos
nos renovar e melhor produzir.
Psicografia Chico Xavier – Espírito Emmanuel – Livro “Caminho Espírita”
Digitado
por Marina de Barros Feltra |