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PERDOADOS, MAS
NÃO LIMPOS
Emmanuel
Em nossas faltas, na maioria das vezes,
somos imediatamente perdoados, mas não limpos.
Fomos perdoados pelo fel da maledicência,
mas a sombra que tencionávamos esparzir, na estrada alheia, permanece
dentro de nós por agoniado constrangimento.
Fomos perdoados pela brasa da calúnia, mas
o fogo que arremessamos à cabeça do próximo passa a incendiar-nos o
coração.
Fomos perdoados pelo corte da ofensa, mas
a perda atirada aos irmãos do caminho volta incontinenti, a lanhar-nos o
próprio ser.
Fomos perdoados pela manifestação de
fraqueza, mas o desastre que provocamos é dor moral que nos segue os
dias.
Fomos perdoados por todos aqueles a quem
ferimos, no delírio da violência ma, onde estivermos, é preciso
extinguir os monstros do remorso que os nossos pensamentos articulam,
desarvorados.
Chaga que
abrimos na alma de alguém pode ser luz e renovação nesse mesmo alguém,
mas será sempre chaga de aflição a pesar-nos na vida.
Injúria aos semelhantes é azorrague mental
que nos chicoteia.
A serpente leva consigo a peçonha que
veicula.
O escorpião carrega em si próprio a carga
venenosa que ele mesmo segrega.
Ridicularizados, atacados, perseguidos ou
dilacerados, evitemos o mal, mesmo quando o mal assuma a feição de
dessa, porque todo mal que fizermos aos outros é mal a nós mesmos.
Quase sempre aqueles que passaram pelos
golpes de nossa irreflexão já nos perdoaram incondicionalmente, fulgindo
nos planos superiores; no entanto, pela lei de correspondência,
ruminamos, por tempo indeterminado, os quadros sinistros que nós mesmos
criamos.
Cada consciência vive e envolve entre os
seus próprios reflexos.
É por isso que Allan Kardec afirmou,
convincente, que, depois da morte, até que se redima no campo
individual, “para o criminoso a presença incessante das vítimas e das
circunstâncias do crime é suplício cruel”.
Livro Caminho Espírita – Psicografia:
Francisco Cândido Xavier.
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