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POR ENQUANTO
Emmanuel
Por enquanto,
é inútil que o homem no mundo lavre escrituras e acordos sobre propriedades
que lhe não pertencem.
Usufrutuário
da fazenda terrestre vive para dizer adeus, cada dia, aprendendo, não raro,
com dificuldades e revolta, a arte de despedir-se.
Por enquanto,
cidades preciosas e imponentes são patrimônio móvel das gerações que se
sucedem, ininterruptas...
Casas
solarengas são transmitidas de pais para filhos, quando não descem à treva
das disputas envenenadas que rodeiam o sepultamento daqueles que as relegam
aos descendentes...
Dinheiro, por
mais abundante, inevitavelmente, derrama-se-lhe das mãos, poderoso e inútil,
sempre que a enfermidade incurável lhe rói o arcabouço...
Indumentária
pomposa termina no túnel valioso dos museus, quando não se reduz à cinza em
covas de lodo e sombra...
Afetos, na
feição carnal, passam apresados, confiando-o a dolorosas reflexões...
Realizações
da inteligência sofrem a passagem do tempo com a modificação invariável das
informações provisórias da ciência, embora respeitável e digna...
O corpo
maneiroso, de que tanto se ufana, sofre a pressão do guante irresistível da
morte quando menos espera...
Por enquanto,
então, a glória da criatura brilha na oportunidade de fazer o bem e
exaltá-lo em cada instante da vida...
Por enquanto, o poder,
a posse, a autoridade, a aptidão e a saúde são nossos instrumentos sublimes
de serviço, que podemos utilizar em nossa própria sublimação.
Tenhamos
assim, em mente, a importância do minuto que recebemos do Senhor por
empréstimo de sua |Infinita Misericórdia, e procuremos realizar o
investimento do verdadeiro progresso, burilando nosso espírito para que
estejamos em condições de retratar-lhe os desígnios.
Acordemos
para semelhante realidade, enquanto é hoje, de vez que, por enquanto, a
oportunidade de glorificar o bem com o Cristo, onde estivermos, é a única
benção que possuímos, porque, no planeta móvel tudo se transforma e tudo se
eleva para o melhor e aquilo que julgamos, na Terra, como sendo nossa
propriedade absoluta e positiva, pode metamofosear-se de um momento para
outro, em azorrague de desesperação sobre nossa própria alma, além de
converter-se simplesmente em um punhado de cinzas, no corpo ciclópico do
mundo em constante ascensão.
Extraído do livro
Bênçãos de Amor. Autores Diversos
Psicografia de
Francisco Cândido Xavier. |