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DESOBSESSÃO
Bezerra de Menezes
O amigo menos
feliz da Espiritualidade, ao qual tantas vezes gravamos com o pejorativo de
“obsessor”, é sempre uma afeição que se transfigurou na retaguarda,
metamorfoseando amor em ódio e simpatia em desacordo.
É sempre a
criatura que anexamos ao distrito espiritual de nossos próprios interesses e
esperanças.
Não se
transformará em definitivo por força de palavras que possamos pronunciar, e
nem se anestesiará ao contato de promessas que venhamos a formular.
É sempre a
criatura que nos observará, quanto ás idéias e planos de melhoria e elevação
que anunciamos.
Possivelmente, em muitas ocorrências, respeitará a autoridade e a influência
de benfeitores que nos advoguem a causa de libertação e paz, reajuste e
segurança, mantendo-se, porém, transitoriamente à distância.
Entretanto, mesmo de longe, os amigos categorizados na condição que
examinamos, prosseguem policiando-nos a vida e assinalando-nos os passos.
Por
isso mesmo, desobsedar-se será, antes de tudo, servir e servir, servir sem
propósito de obter qualquer retribuição, servir por amor para demonstrarmos
o proveito das lições de aperfeiçoamento em que vamos evoluindo.
Não nos
esqueçamos.
os adversários que
levantamos contra nós mesmos esperam por nós na seara do trabalho e da
benção.
O suor que
derramamos no dever a cumprir ser-lhes-á a certidão de nosso burilamento e
as lágrimas que vertamos, no auxílio do próximo, serão as faíscas de luz que
nos clarearão o caminho,do qual partilharão todos eles, tanto quanto nós
mesmos , transformados e reconduzidos às leis de harmonia que nos governam.
Filhos,
repitamos: Auxiliar aos outros é a forma de auxiliar-nos; desculpar é
exonerar-nos do
desequilíbrio que porventura ainda nos assinala o coração; suportando com
paciência, seremos tolerados com a grandeza daqueles que nos supervisionam a
jornada; amar e esquecer-nos é o processo de sermos lembrados nos
suprimentos da Vida Superior e sempre mais amados para sermos, um dia, o
Amor de Cristo que nos convidou à felicidade suprema, asseverando
convincente: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Extraído do livro
Bênçãos de Amor. Autores Diversos
Psicografia de
Francisco Cândido Xavier. |