DINHEIRO  TEM  MUITAS FACES

 

Jair Presente

 

Servindo de auxiliar

Para um mentor enfermeiro,

Entrei no lar confortável

Do irmão Genésio Pinheiro.

 

O instrutor que me levava

É um prestimoso atendente

Que declarava Pinheiro

Necessitado e doente.

 

Qual não foi o meu espanto,

Ao notar no visitado

Um quarentão alto e forte,

Notavelmente trajado.

 

O menor recomendou-me

Silêncio, calma e atenção...

Sentado, o dono da casa

Escrevia ao próprio irmão.

 

Postados à retaguarda,

Sem querer, eu mesmo lia

Tudo aquilo que Pinheiro

Fraternalmente escrevia:

 

-“Prezado mano Jojota

-dizia, na carta amiga-

Conforme os tempos de hoje,

É preciso que eu lhe diga...

 

Para guardar a saúde,

Você, que é moço educado,

Conserve os nossos princípios

E tenha muito cuidado.

 

Durma cedo. Evite farras.

Não busque dor-de-cabeça,

Nem procure a companhia

De moças que não conheça.

 

Nada de álcool na boca,

Nem mesmo vinho ou licor,

Fuja do ar poluído

De qualquer rua a transpor.

 

Não fume, porque o cigarro

Parece trama ou feitiço,

A pessoa quer deixá-lo,

Depois não pensa mais nisso.

 

Não coma carne de porco,

Nem beba água qualquer...

Lembre sempre os três perigos:

Fumo bebida e mulher...”

Nesse tópico da carta,

 

Pôs-se a ler o texto feito,

Mas sentiu, desconcertado,

Uma forte dor no peito.

Fitando a carta na mesa,

 

Sob enorme desconforto,

Ergueu-se e saiu gritando...

Em seguida, estava morto.

  

 

 

LIVRO: BAZAR DA VIDA.  Psicografia de Francisco Cândido Xavier