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O CASO
LIBÓRIO
Jair Presente
Libório, depois da
festa,
Chegou, reclamando em
casa,
Cambaleava e gemia,
Mostrando os olhos em
brasa...
Despejou-se numa cama,
Desvestiu-se sem
cautela
E passou a vomitar
Saliva grossa e
amarela.
Gritava com dor no
ventre,
Dizia-se com tonteira,
O coração disparava
Com tremenda
batedeira.
Excedeu-se na festa,
Devorando peixe
assado,
Com batida de limão
Num grande copo de
lado.
Depois comera cabrito,
Torresmo, chouriço e
frango,
Sentindo-se
entusiasmado,
Caiu, feliz, no
fandango.
Cantou, danço,
batucou,
Tocando antiga viola,
Que trouxera
resguardada
Por dentro de uma
sacola...
Agora, clamava aos
berros,
Ele, o touro e amigo
forte,
Que não agüentava as
dores,
Que via, de perto, a
morte...
À noite, foi à sessão
Com apoio de
enfermeiro,
Queria ouvir o Irmão
Júlio,
Seu guia e seu
companheiro.
No momento da consulta
Disse o Libório: “Ah!
Irmão,
A doença me apanhou,
Vivo agora em
provação...
Que diz o meu caro
Guia?
Pois creio em sua
virtude,
Necessito, quanto
antes,
Retomar minha
saúde!...”
O Amigo Espiritual
Respondeu com
gentileza:
-“Vi você, ontem, na
festa,
Gostei de sua
destreza.
Tenha calma, irmão
Libório,
Guarde a Fé, pense no
Bem,
Deus é um Pai que
nunca dorme,
Nem abandona a
ninguém.
Mas escute este rifão
Que ofereço ao seu
amparo:
Quem a paca caro
compra,
Pagará a paca caro.”
LIVRO: BAZAR DA VIDA.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier |
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