ENCABULADO

 

Jair Presente

 

Você me pergunta em carta,

Meu caro Antônio Garcia,

Sobre o amor livre na Terra,

No sexo de hoje em dia.

 

O que dizer, meu irmão?

Eis neste assunto o que sei:

O sexo sem controle

Inventa o amor sem lei.

 

Recorde o antigo provérbio:

“Na casa em que não há pão,

Todos reclamam comida

E se agitam sem razão.”

 

Exalta-se em toda parte

O corpo por nobre centro

Com muito sexo por fora

E muito chulé por dentro.

 

Tanto o homem pulou cercas,

Nas cercas em derredor,

Que a mulher quis imitá-lo

E a luta ficou pior.

 

Tanto a mulher se descobre,

Que o homem fica a pensar,

Se deseja estar na rua

Ou mesmo se quer um lar.

 

Sexo livre? Amor livre?

Garcia, não falarei,

Diga aos nossos que sou morto

E por isso nada sei.

 

 

LIVRO: BAZAR DA VIDA.  Psicografia de Francisco Cândido Xavier