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SEQÜESTRO
Jair Presente
No sentido de ampliar
Os pensamentos do Bem,
É que ouso comentar
A lição que vi do
Além.
A viúva nobre e rica,
Dona Cecília Trindade,
Tinha um filho e duas
filhas
Com destaque na
cidade.
Certo dia, junto ao
filho,
Tão pálida quanto a
cera,
Mostra-lhe Dona
Cecília
A carta que recebera.
Era um texto repulsivo
De cruel seqüestrador
Que lhe falava na
escrita
Com menosprezo e
rancor.
Que ela atendesse sem
falta,
No que se punha a
intimá-la
Cinqüenta milhões, não
menos,
Ou, então, a morte a
bala...
Que colocasse o
dinheiro
Por entre jornais em
monte,
Certa noite, em certa
hora,
Debaixo de antiga
ponte.
Nada dissesse à
polícia,
Que agisse de “lábio
mudo”,
Nada falasse a
ninguém,
Se não mudaria tudo...
Rogava ao filho
conselho
Contra o esperto
marginal,
Esperando recorrer
Ao tato policial.
Mas o moço respondeu:
-“Escute, mamãe
querida,
Nisso tudo, apenas
vejo
A bênção de sua vida.
É preciso resguardar
Seus santos cabelos
brancos,
Essa quantia é migalha
Do que já possui nos
bancos.
Convém se evite a
polícia,
Ponha o dinheiro em
jornais
E fique livre de vez
Da mira de marginais”.
Mas a senhora, ao
contrário,
Foi à polícia em
segredo,
Pediu providências
claras,
Falando firme e sem
medo.
Orientada, a capricho,
Por antigo delegado,
Colocou todo o
dinheiro
Sobre o terreno
indicado.
A nobre dama, a
distância,
Ficou serena, a
contento,
Queria ver o desfecho
Do triste
acontecimento.
Em hora escura da
noite,
Um mascarado chegava,
Sem ver os homens
atentos
Da guarda que o
vigiava.
Quando tomou do
pacote,
Eis que a polícia o
esfacela...
Descobriu-se, então,
que o morto
Era o próprio filho
dela.
LIVRO: BAZAR DA VIDA.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier |