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PAR
SERVIR E AMAR
Jair Presente
Amigo, você me pede
Para que o livre das
crises,
Queixando-se
amargamente
Dos momentos
infelizes;
Diz haver chorado
tanto
Que hoje é um pobre
sofredor,
Arrastando a dura
carga
De desenganos do amor.
Decerto, você julga em
mim
Um companheiro
eminente,
Mas sou apenas Jair,
O amigo Jair Presente;
Um pequeno servidor,
Procurando sem alarme,
Entre as pedreiras da
vida
O processo de
encontrar-me.
Você sabe: a evolução
Não aparece de
estalo...
Sinceramente, não sei
O modo de consolá-lo.
Sabendo, porém, que a
dor
É disciplina de lei,
Anoto para conversa
Um caso que
acompanhei.
Junto a uma estrada de
barro
Em que eu fazia ida e
vinda,
Via sempre admirado
Uma cana nobre e
linda.
Dava gosto vê-la
enorme
A balançar-se no vento
E pensava: “o que
seria
Do seu tronco
suculento?”
Certo dia, veio um
homem
E atacou-a de facão,
Depois, cortou-a aos
pedaços
Sem que eu soubesse a
razão.
Ao valente cortador
Que estava de boa
veia,
Supliquei para
segui-la
Eu, atônito,
acompanhei-a.
Ela foi largada a um
canto,
Depois, levada à
moenda,
Foi triturada, de
todo,
Para o açúcar na
fazenda.
A cana altaneira e
bela
Tinha um dever a
cumprir:
Submeter-se à moenda
Para a missão de
servir.
A vida é assim, meu
caro,
Para ter o dom de
amar,
Qualquer pessoa no
mundo
Há de sofrer e chorar.
Se você chora, recorda
Que Deus cuidará de
si.
Lembra o episódio da
cana;
Amar é sempre isso aí.
LIVRO: BAZAR DA VIDA.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier |
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