CORTA  ISSO

 

Jair Presente

 

Quem deseja o dom da paz

Que auxilia e reconforta,

Ouça o conselho da vida:

-“Corta isso, corta, corta...”

 

É que a paz simples e viva

Para instalar-se na mente,

Nenhuma ilusão aceita,

E peso nenhum consente.

 

É por isso que cortar

Significa o dever

De buscar-se o necessário

E quanto ao resto: “esquecer”.

 

Olvida as rixas de casa;

A incompreensão do vizinho;

O amigo que se afastou;

Os entraves do caminho;

 

Qualquer desgosto passado;

A provação já vencida;

O parente atrapalhado;

A fala mal- entendida;

 

A camisa fuchicada;

O paletó sem botão;

A parede descascada;

O conserto do portão;

 

A poeira desatada;

A fogueira do sol quente;

O vento do temporal

Que desabou de repente;

 

O copo de jeribita;

O café antigo e morno;

O bolo queimado e cru;

Os desarranjos do forno;

 

As promessas de mandraca;

Qualquer serviço mal-feito;

A condução atrasada;

A conversa sem proveito...

 

Se você procura paz,

Que o tranqüilize, a contento,

Não carregue bagatelas

No campo do pensamento.

 

Por isso, é que a vida, quando

A nossa idéia se entorta,

Está sempre repetindo:

- “Corta isso, corta, corta!...”

 

LIVRO: BAZAR DA VIDA.  Psicografia de Francisco Cândido Xavier