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ANTIPATIAS
Cornélio Pires
Eis aqui sua pergunta,
Minha prezada Lilia:
De que modo liquidar
A força da antipatia.
Você sabe. Antipatias
Na sombra espessa em
que estão
Aparecem de improviso,
Quase sempre sem
razão.
O assunto chega de
longe,
Parece graves feridas,
Moléstias do
pensamento
Que trazemos de outras
vidas.
Comumente, a novidade
É cousa que nos
alcança,
Quando alguém de
encontro novo
Não nos causa
confiança.
Aumentam-se
gentilezas,
Seja no lar ou na rua,
Mas a repulsa por
dentro
É sombra que continua.
Aí, é a doença antiga
Que nem sempre vem à
face,
Veneno desconhecido,
Ódio velho que
renasce.
Declarada a
enfermidade,
Usemos, de modo
atento,
O remédio da oração
Que nos traga o
esquecimento.
Depois da prece que
extinga
Esse mal que nos
invade,
Procuremos o exercício
Da paz e da caridade.
Meditemos no
passado...
Que teria acontecido?
Quem nos impõe
desagrado
Talvez nos haja
ferido.
Ou talvez, sejamos
nós,
Segundo o reto pensar,
OS causadores da
sombra
Com culpas a resgatar.
Por isso, quando
apareça
Algum inimigo à
frente,
Peçamos a Deus nos dê
Compaixão que ajude a
gente.
Por vezes, quem nos
pareça
Dose de cobra ou leão
É uma pessoa cansada
De espinhos no
coração.
Terá sido noutras eras
Terrível perseguidor,
Hoje, às vezes, é um
pedinte
De compreensão e de
amor.
Quando você ache
alguém
Que o peito lhe aflige
ou tranca,
Pensa em Cristo, ore
com calma
E evite qualquer
carranca.
Pelos caminhos da vida
A presença da aversão
É sempre a hora
difícil
De regresso à
provação.
E quando a prova
ressurge,
Queira ou não queira
acertar
Deus nos coloca,
Lilia,
No tempo de perdoar.
Livro "Baú de Casos" -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Espírito Cornélio Pires
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