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CULPA E
DOENÇA
Cornélio Pires
Recebi a sua carta
Meu caro Juca Beirão,
Você deseja se faleI
Em culpa e
reencarnação.
Da sua pergunta amiga
Não posso me
descartar,
Por isso, peço
desculpas
Do meu modo de
informar.
Sabe você, a pessoa,
Seja aí ou seja aqui,
Segue o tempo
carregando
Aquilo que fez de si.
Quando lesamos alguém,
Conforme lei natural,
Plantamos na própria
vida
Uma semente do mal.
Tempo surge, tempo
some
Em horas de sombra e
luz,
Mas chega um dia entre
outros
Em que a semente
produz.
O valor desta lição
Não posso dar em
miúdo,
É que existe em cada
efeito
uma causa para estudo.
Por isso, ante o seu
exame,
Sem nomear o endereço,
Apresento ao caro
amigo
Alguns casos que
conheço.
A fim de poupar o
tempo
Que vai seguindo
veloz,
Falemos tão-só nos
erros
Que assuminos contra
nós.
Perdeu-se todo em
pinga,
Nosso Antonico Vanzeti,
Renasceu mas traz
consigo
A luta com diabete.
Emilota de Traíras
Fez abortos à vontade,
Reencarnada quer ter
filhos
Mas sofre
esterilidade.
Desencarnada em
excessos
Voltou à Terra Ana
Frozzi,
Mas padece a obesidade
De nome lipomatose.
Com muito abuso de
drogas,
Desencarnou Léo Faria
Hoje só pode nascer
Na herança da
hemofilia.
Beleza desperdiçada,
Lá se foi Mira Vilar,
Renascendo, tem
doenças
Que não conseguem
sarar.
Afogou-se num suicídio
Odorico de Ipanema,
Voltou, mas em tempo
certo
Terás lutas de
enfizema.
Atirou no próprio
crânio,
Nhô Ninico da Calçada,
Retornou a novo corpo,
Mas tem a idéia
alterada.
Em muitos casos,
doença
Quando aparece e
demora,
É a luta que n´so
criamos
De longa e lenta
melhora.
É isso aí, caro amigo,
Anote esta lei comum:
_ Na culpa de cada
qual
É a prova de cada um.
Livro "Baú de Casos" -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Espírito Cornélio Pires
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