DINHEIRO  E  SERVIÇO

 

Cornélio Pires

 

Você deseja de nós,

Meu caro Juca Loureiro,

Alguma nota do Além

Sobre a questão do dinheiro.

 

Entretanto, caro amigo,

Você, de modo geral,

Somente fala em moeda

Quanto ao que existe de mal.

 

Refere-se a casos tristes,

Aos delitos, tais quais são,

E apenas vê na riqueza

Motivo à condenação.

 

Escute. Medite um pouco

No que a lógica elucida

E encontrará no dinheiro

Apoio, progresso e vida.

 

Sem a finança mantendo

A escola, o pão, o agasalho,

Pouca gente sobraria

Para a Bênção do trabalho.

 

E sem trabalho constante

O mundo inteiro, por certo,

Estaria reduzido

A pavoroso deserto.

 

A moeda claramente

É força a prevalecer

Até que o dom de servir

Seja na Terra um prazer.

 

Para evitar entre nós

Qualquer indução à briga,

Peço a você rememore

O burro da história antiga.

 

Em recanto de outras eras,

Existiu certo muar

Que em vez de ajudar na vila,

Só vivia de empacar.

 

Submetido a chicote,

Nem notava o próprio dano,

Se alguém lhe impusesse carga,

Dava coice a todo o pano.

 

Certo dia, um cavaleiro,

Com muito tempo de monta,

Mostrou a ele uma vara

Com milho verde na ponta.

 

Em seguida, o curioso,

Resguardando o milho em paz,

Avançou, buscando a frente

E o burro seguiu atrás.

 

Com semelhante incentivo,

Trotou pela estrada larga,

Interessado na espiga

Servia, agüentando a carga.

 

Você pode observar

Pelo assunto que me envia,

Que, ante a saga desse burro,

Há muita filosofia.

 

É isso aí... Sem trabalho

Que a moeda alenta e anota,

Os homens copiariam

A lentidão da marmota.

 

Não condene os bens do mundo,

Sejam meus ou sejam seus;

Dinheiro marca a nós todos

Como instrumento de Deus.

 

 

Livro "Baú de Casos" - Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Espírito Cornélio Pires