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HISTÓRIA
DE QUIMQUIM
Cornélio Pires
Em carta, você
pergunta,
Meu caro Alírio
Trindade,
Como é que se
desenvolve
O dom da mediunidade.
Você termina,
indagando
Quanto ao nobre
compromisso
Qual a maneira mais
certa
De começar o serviço.
Ser médium, meu bom
amigo,
Em qualquer tempo e
lugar,
Pede atenção para o
estudo
E gosto de trabalhar.
Na alegria do começo,
Qualquer irmão se
equilibra,
Mas a tarefa depois
Precisa de muita
fibra.
No assunto, quero
contar-lhe
O caso de um
companheiro,
Sei que você vai
lembrá-lo:
É o nosso Quinquim
Monteiro.
Quinquim curou-se num
Centro
De uma dor no
calcanhar,
Notando a força da
prece,
Quis ser médium,
trabalhar...
Iniciou-se, feliz,
No "Grupo do Irmão
Carlindo,"
Mas a obra foi
crescendo
E o trabalho foi
subindo...
Muita gente em
provação,
Muita amizade a
sofrer,
"Servir e entender a
todos"
Passara a simples
dever.
A tarefa perdurava
Não se sabia até
quando,
Quinquim começou nas
falhas
E seguiu
desanimando...
nas noites de
reuniões,
Não negava a própria
fé,
Mas falava de fadiga,
De dor na nuca ou no
pé.
Mostrava as pernas
doendo,
Tinha angústia,
batedeira,
Dizia sofrer de
insônia,
Às vezes, por noite
inteira.
Lastimava resfriados,
Inflamações do nariz,
Se alguém lhe pedia
amparo,
Confessava-se infeliz.
Acusava-se vencido,
Estava sempre cansado,
Nas horas do
reumatismo,
Padecia dor
de lado.
Se alguém lhe falasse
em preces,
Quinquim falava em
descanso,
Era um retrato da
queixa
Na cadeira de balanço.
Sempre a clamar contra
a vida,
Sem domínio da
vontade,
Quinquim largou-se ao
repouso,
Perdendo a
mediunidade.
Passou a viver
deitado,
Não tinha fome nem
sede,
Em seguida, piorou,
Cansado de cama e
rede.
Quando quis
recuperar-se,
A morte olhava
Quinquim,
O pobre já tinha o
nome
No grande listão do
fim.
E o assunto é esse
aí...
Se você quer triunfar,
Não escute corpo mole,
Nem pare de trabalhar.
Livro "Baú de Casos" -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Espírito Cornélio Pires
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