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PROVAS E
CALAMIDADES
Cornélio Pires
Você nos pergunta, em
carta,
Meu caro Alfeu
Segismundo,
Como encontrar alegria
Nas graves provas do
mundo.
E continua afirmando:
_ "Cornélio, o que diz
você?
Tanta lágrima na
Terra,
Não sei explicar
porquê...
Basta ler, ouvir e
ver,
Nos campos de
informação,
E a gente sofre
pensando
Em tanta tribulação.
É guerra que não se
acaba,
É desespero
alastrando,
É clima destemperado,
Calamidades em
bando...
É tromba d'água
caindo,
Geada, seca, maré...
Amargura e insegurança
Surgem na falta de fé.
É desastre, a toda
hora,
É murro de força
bruta...
De que modo ser feliz
Em meio de tanta
luta?"
digo, porém, caro
amigo,
Que a Terra foi sempre
assim:
_ A escola que sempre
educa,
Tanto a você, quanto a
mim.
Você sabe: o
educandário
Em que a gente se
renova
Reclama trabalho,
esforço,
Lição, disciplina e
prova...
Mas se quer
felicidade,
Medite, prezado Alfeu,
Nas cousas boas da
vida
Que você já recebeu.
Pense nas almas
queridas
Que o situaram no bem,
Nos recursos que o
protegem,
Nas amizades que tem.
Olhe o poder que
possui
De buscar o que lhe
agrade,
Você consegue
mover-se,
Conforme a própria
vontade.
Lembre o sono que
desfruta,
A mesa que o
reconforta,
A fonte jorrando em
casa,
O pão que lhe vem à
porta.
Recorde a sombra
vencida
Pelos dons da luz
acesa,
Os recursos do
progresso
E as bênçãos da
natureza.
Medite nos animais
Que sofrem no
dia-a-dia,
Para que o prato lhe
seja
Um transmissor de
alegria.
Pense nos dias
tranqüilos
De estudo, de calma e
prece,
Nas horas somente suas
Em que ninguém lhe
aborrece.
Então, você notará,
De atenção célere e
pronta,
Que os benefícios da
Terra
São benefícios sem
conta.
Em síntese, caro
amigo,
No mundo, a gente, a
meu ver,
Muito pouco sofreria
Se soubesse agradecer.
Se você quer progredir
Na luz que Deus nos
consente,
Esqueça a conversa
mole,
Largue a queixa e siga
em frente.
Livro "Baú de Casos" -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Espírito Cornélio Pires
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