ESCUTA

Auta de Souza 

 

Não menosprezes quem te bate à porta...

Contempla a segurança do teu ninho

E repara, lá fora, o torvelinho

Da miséria que punge e desconforta.

 

Fome... Frio... Viuvez... Pranto escarninho...

Não responda dizendo “que me importa?”,

Traze à dor da esperança quase morta

Um caldo... Um pão... E um gesto de carinho...

 

Uma gota de leite... Um trapo... Um bolo...

Isso é muito a quem sofre sem consolo,

No vale onde a aflição ruge e domina...

 

E a migalha que deres a quem chora,

Um dia, ao Sol do Amor, na Eterna Aurora,

Será teu prêmio na Mansão Divina.

 

 

Do livro Auta de Souza. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.