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ASSUNTO DE MÃES
Augusto Cezar Neto
Prezada Irmã.
Creia que seu pedido me
sensibilizou o coração de rapaz inexperiente.
Após registrar-lhe o
chamado, fui ouvi-la de perto.
Suas mãos acariciavam o
retrato de jovem senhora, aparentando um tanto mais de vinte janeiros, enquanto
o seu pensamento nos dizia:“Anseio receber socorro para minha filha doente.”
E acrescentava:“Augusto,
você que não mais vive na Terra, auxilie-me a filha casada e enferma”.
Procurei conhecer a
história dela nos clichês das suas lembranças.
A menina casara-se aos
dezoito. Enlace feliz. Esposo dedicado e um lar florido de bênçãos. Tudo parecia
felicidade sem alteração quando apareceu o imprevisto. A gravidez chegara, no
entanto a moça rejeitara a situação. Não queria filho sem encomenda prévia.
Concordaria em ser mãe, porém, quando quisesse. Sem haver controlado a própria
natureza, decididamente não.
O marido insistia.
Disputava a criança. Sempre aguardara o instante de ser pai.
Despontaram
desentendimentos e discussões.
A moça, no entanto,
vencera.
Dirijira-se a determinada
senhora que lhe vendeu a colaboração e livrou-se do encargo que considerava
problema.
O companheiro, desgostoso,
reclamara inutilmente.
O conflito demorou-se
entre os dois e, a breve tempo, a mãezinha frustrada apresentava evidentes
sinais de perturbação.
Providencias e
tratamentos.
A jovem foi internada num
sítio de repouso, passando a conviver com desequilibrados e nervosos.
Anotei o endereço e
decide-me a visitá-la.
Posso agora dizer-lhe o
que vi.
Não encontrei uma pessoa
dementada, qual seria de esperar. Surpreendi a imagem da angústia.
A filha de suas orações se
reconhecia lesada, incapaz de governar os próprios pensamentos. E chorava
deprimida... Mas não só isso. Acompanhando-a, estava ali a criatura que ela
expulsara do próprio seio, lamentando-se e acusando-ª
Entre os dois, as lágrimas
se misturavam e os sentimentos se embatiam na mesma expressão de dor.
O quadro nos enterneceu,
de tal modo que aos seus requerimentos de auxílio, endereçamos ao seu carinho
igualmente os nossos, pedindo-lhe amparo, em favor da filha querida e daquele
outro ser a quem ela haverá prometido novo berço no mundo.
Prezada irmã, não se
lastime.
Corra ao encontro de sua
filha e dialogue com ela, esclarecendo-a para a vida melhor.
Ensine-lhe a não recusar a
maternidade, recordando-lhe o próprio exemplo.
Diga-lhe que a senhora não
lhe sonegou asilo no coração materno, quando ela mesma precisou de refúgio na
casa física.
Fale-lhe da grandeza da
vida, do alto sentido da presença feminina sobre a Terra e dos nossos
compromissos para com as Leis de Deus.
Coloque-a, outra vez, em
seus braços, beije-lhe a face e converse com carinho. Então esteja certa de que
a senhora terá salvo a sua filha da alienação mental e estará, em breve,
auxiliando uma criança a reviver e sorrir.
Psicografia Francisco C. Xavier – Espírito Augusto Cezar Neto – Livro
“Augusto Vive”.
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