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ANJOS ENFERMOS
Augusto Cezar Neto
Prezada irmã.
De todas as indagações que
habitualmente recebo, a que me veio do seu maternal carinho a que mais me doeu
no coração.
“Por que, Augusto amigo,
teremos pessoas que recomendam a eutanásia para as crianças infelizes? Tenho meu
filhinho de oito novembros, estirado no leito, paraplégico, que apenas conversa
comigo através do olhar. Diga-me: você que está no mundo da verdade, diga-me se
é justo suprimir um anjo desses, sonho de minha alma e força de minha vida,
tão-só porque não possa brincar e falar, como sucede às outras crianças? E por
que existirão meninos assim, maravilhosos de inteligência e de amor que somente
as mães sabem ouvir e compreender?”
Estes tópicos de sua
confidência me tocaram o íntimo de rapaz inexperiente ao qual a senhora empresta
valor tamanho.
Devo dizer-lhe que nas
paragens novas a que fui conduzido, as opiniões de quantos amigos conheço são
idênticas aos seus próprios conceitos.
Por que existem criaturas
na Terra que aprovam o assassinato dos pequeninos enfermos, até mesmo aplaudindo
aqueles que o executam, valendo-se da impunidade, suscetível de ser encontrada
entre as paredes domésticas?
Ah!... os que assim agem
não tiveram ainda o espírito bafejado pela ternura que um filho doente sabe
inspirar!...
Guarde o seu abençoado
amor nos próprios braços e defenda-o contra o assalto da delinqüência vestida de
belas palavras.
Creia. A senhora e outras
mães que receberam da Providência. Divina, semelhantes lírios mutilados,
obtiveram do infinito amor de Deus um sagrado depósito.
E qual a razão de
existirem eles?
Sempre que nos voltamos
contra nós, admitindo as facilidades ou os suplícios da autodestruição, ferimos
cruelmente a nós mesmos.
O suicídio consciente e
sem atenuantes gera tanta carga de culpa que desequilibramos os próprios
veículos de manifestação.
Deus, porém, é Pai e não
verdugo. Por isso mesmo, quando incursos no remorso a que me refiro, somos
conduzidos ao coração das filhas de Deus que lhe refletem o amor imenso, com
suficiente capacidade de sacrifícios para aceitar-nos na condição de espíritos
culpados em luta regenerativa.
Isso, entretanto, é
assunto para os pesquisadores e filósofos, que procuram dissecar os processos de
reencarnação.
Falaremos nós apenas do
carinho que devemos aos companheiros enfermos que a Bondade Celeste devolve à
terapêutica do lar para que se restaurem.
Conserve o seu filho
querido contra a leviandade de quantos pretendam atuar, em nome da Ciência,
aconselhando a eliminação de seus semelhantes, temporariamente crucificados na
prova que os redime perante a própria consciência. E recordemos que Deus não
lhes colocou nos laboratórios essas flores humanas que parecem estrelas
apedrejadas ao nascer. O Misericordioso Pai entregou os seus anjos enfermos a
outros anjos criados por sua Infinita Sabedoria e que todos, no mundo,
conhecemos na ternura e no sacrifício de nossas mães.
Psicografia Francisco C. Xavier – Espírito Augusto Cezar Neto – Livro
“Augusto Vive”.
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