Emmanuel
Amar aos nossos
adversários, desde o presente, ofertando-lhes o coração, em forma de tolerância
e trabalho, devotamento e ternura é a fórmula exata para a solução dos grandes
problemas que tantas vezes, por invigilância e leviandade, endereçamos,
lamentavelmente ao futuro.
*
Lembremo-nos de que ainda
ontem, acalentávamos antipatias e desafetos, cultivando o ódio à feição de serpe
no seio.
Recordemos que semelhantes
laços de treva algemavam-nos o espírito às largas sendas inferiores, impondo-nos
reencarnações difíceis e angustiosas, nos campos de purgação da experiência
terrestre.
Enleiados a eles
renascemos no mundo e porque se nos retarde o amor, nos testemunhos de paciência
e compreensão, somos constrangidos pela Justiça Perfeita, a recebê-los
compulsoriamente nas teias da consangüinidade, convertendo-se-nos o templo
familiar em triste reduto de sofrimento.
É assim que, reinternados
na Terra, quase sempre, acolhemos na forma de entes amados velhos inimigos, que
se origem, no santuário doméstico, em nossos credores intransigentes.
Surgem por filhos
tiranizantes e ingratos, ou parentes invulneráveis ao nosso melhor carinho,
obrigando-nos a mais doloroso acerto, porque estruturado em suor e pranto,
quando o nosso perdão puro e simples conseguiria fundir a bruma aviltante da
crueldade em brisa de esquecimento.
*
Para que não estejamos
amanhã em lares metamorfoseados em pelourinhos, por força dos corações queridos
que o resgate transforma em verdugos e inquisidores de nossos dias, saibamos
amar, desde hoje, os que nos apedrejam ou firam, atormentem e caluniem, porque,
em verdade, o mal é apenas mal para aqueles que o fazem, transmutando-se em bem
naqueles que o recolhem entre a paz do silencio e a prece da humildade, por
saberem que a Vida é sempre luz de Deus.
Psicografia em Reunião
Publica Data – 31-10-1958
Local – Centro Espírita
Vicente de Paulo, na cidade de Uberaba, Minas.
Do Livro "Através do
Tempo", de Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos