Neio
Lucio
O problema da
materialização e da desmaterialização revela muitas dificuldades para ser
colocado em termos técnicos.
Assim me pronuncio, com
respeito ao assunto, porque em nossa esfera de ação os enigmas científicos não
são reduzidos.
Adianto-lhes, porém, que
se a vida deve ser considerada um todo ascendente, dentro de seus
característicos de aprimoramento e eternidade, o Universo, englobando o Infinito
dos Mundos, deve ser interpretado por organismo vivo, sem solução de
continuidade, isto é, sem vácuos, em suas manifestações diversas nos ângulos
mais remotos da Criação.
Matéria e espírito
constituem para nós, ainda no plano em que evolucionamos, duas realidades, das
quais até agora não conseguimos descortinar o ponto de integração.
Em “nosso lado”, o avanço
das Inteligências de minha condição não vai muito além das linhas em que o
progresso intelectual da Terra está situado. Somos constrangidos a reconhecer,
portanto, que a eletricidade e o magnetismo estão, por enquanto, apenas
levemente vislumbrados no campo em que nos exteriorizamos. A matéria que nos
serve de base ao esforço de ascensão é a grande desconhecida.
Leis vibratórias presidem
à integração e à desintegração dos átomos em todos os ângulos da vida e, em nos
reportando ao assunto, estimaria poder transmitir-lhes certos apontamentos que
vamos estudando aqui, com relação aos poderes mentais. Tais poderes são tão
grandes e de tamanha importância sobre a organização da matéria nos mais
variados reinos da natureza visível e invisível que não nos é dado formular
algumas de nossas experiências, em terminologia terrestre, porquanto não somente
nos faltam recursos analógicos para o cometimento, como também porque as
Ordenações Superiores acreditam que esse gênero de revelação perturbaria o clima
do progresso humano, por prematura e suscetível de favorecer a ignorância e a
maldade.
Convençam-se, contudo, de
que os “fenômenos de conversão”, como denominamos as trocas entre dois planos,
se verificam constantemente. Pelo crivo da química orgânica, milhões de
existências surgem aqui, por morrerem aí, e vice-versa.
O movimento é incessante.
Não há paradas na ação,
tanto quanto não há hiatos no Espaço.
A vontade é vigoroso fator
de prosperidade e decadência. Através do pensamento próprio, cada espírito cria,
destrói e recompõe no presente e no futuro.
Nossas idéias são como
imãs; nossos ideais, turbilhões de força atrativa.
Em torno de cada criatura,
jazem os materiais invisíveis que ela mesma deseja e que torna visíveis e
palpáveis, na esfera humana, por intermédio da assimilação mental, perispirítica
e fisiológica.
A alma, onde quer que se
encontre, permanece “querendo algo” e, em razão disso, vive criando em processos
de cooperação espontânea com o Sumo Poder que rege a Vida Eterna.
Diariamente,
materializamos e desmaterializamos coisas diversas.
Semelhantes faculdades são
exercidas por nós, com tanta naturalidade, quanto o ato de respirar.
Daí nasce o impositivo de
nossa renovação individual para o bem.
Nesse sentido, o aprendiz
do Evangelho nada mais realiza, quando sincero e operoso, que o dever de
adaptar-se aos padrões vivos do Divino Mestre, conduzindo a Ele os materiais de
que dispõe, dentro de si próprio, reestruturando-os, gradativamente, até que
possa sintonizar-se com o Senhor, de maneira integral.
Baste-nos, pois, por
enquanto, a confortadora certeza de que cada espírito é pai e ao mesmo tempo
filho das próprias obras e que, sendo livre para fazer, é constrangido a
suportar os efeitos da ação ou obrigado a recolher os frutos de suas realizações
felizes ou infelizes, compreendendo-se, assim, que todos somos independentes na
sementeira e escravos na colheita.
Esta é a grande lição do
caminho que, por agora, devemos aprender.
Psicografia em Reunião
Pública Data – 23-11-1949
Local – Centro Espírita
Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.
Do Livro "Através do
Tempo", de Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos