SANTA  CARIDADE

 

Rodrigues de Abreu

 

Estende as próprias mãos

Entregando o tesouro que ajuntaste

Ou rogando a migalha

Dos tesouros alheios...

Repara, todavia,

As mãos abnegadas

Que constroem a vida...

Mãos que sangram no campo,

Na condução do arado;

Mãos erguidas na escola,

Em louvor da cultura;

Mãos feridas na industria

Exaltando o conforto;

Mãos que afagam doentes,

Renovando a alegria...

Mãos que servem a mesa,

Enriquecendo o pão;

Mãos nervosas e firmes

Nos volantes bulhentos

Ajustando as artérias

Do progresso incessante.

Mãos que erguem a enxada,

Mãos que empunham a pena...

Mãos que fiam,

Que agasalham,

Que abençoam,

Que consolam...

Assim, pois,

Na graça da fortuna

Ou na dor da carência

Escuta a melodia

Das mãos entrelaçadas

Na oficina do mundo.

E traze com valor

As tuas mãos também,

Cedendo de ti mesmo,

Em suor e esperança,

Ao serviço de todos,

E entenderás, por fim,

Que o trabalho do bem

É a Santa Caridade

Que verte sobre nós

Do Eterno Amor de Deus.

 

 

Psicografia em Reunião Publica  Data – 31-10-1958

Local – Centro Espírita Vicente de Paulo, na cidade de Uberaba, Minas.

 

Do Livro  "Através do Tempo", de Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos