Antero de Quental
Vi a Dor caminhando em
negra estrada,
Qual megera da sombra, em
noite escura,
E perguntei, ralado de
amargura:
“-Por que nasceste, bruxa
desvairada?”
“Por que ostentas a espada
estranha e dura,
Sobre o seio da vida
atormentada,
Reduzindo à miséria, cinza
e nada
Todo sonho de paz e de
ventura?”
Mas a Dor respondeu:
-“Cala-te, amigo!
Na torturada senda em que
prossigo,
O veneno do mal morre
infecundo.
Sem meu gládio que salva,
pouco a pouco,
O homem padeceria cego e
louco
Em tenebrosos cárceres do
mundo!...”
Psicografia em Reunião
Publica Data – 28-6-1949
Local – Centro Espírita
Amor ao Próximo, na cidade de Leopoldina, Minas
Do Livro "Através do
Tempo", de Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos