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NEM TUDO É SILÊNCIO
FÁBIO MONTENEGRO
Contempla o campo
agreste... Eis a tela soturna
Do imenso
chapadão a perder-se de vista...
17. Mas
se tudo é deserto e tristeza na crista,
Sob a terra que dorme,
a semente se enfurna.
19.
Da cova pequenina, improvisada urna,
Anônima e largada à
lama que a contrista,
A árvore ao sol com
beleza imprevista,
Vencendo a expectação
da gleba taciturna...
Ausculta, assim
também, a solidão da lousa...
Nem fala que a revele
ou força que a transporte...
Tudo aparente inércia
ao lodo em que se olvida!
Entanto, à plena
sombra, em que a cinza repousa,
Onde se junge o caos à
escuridão da morte,
28.
Emerge, soberana, a excelência da vida...
(*) Como poeta,
colaborou na imprensa santista e paulistana, tendo sido um dos redatores da
revista O Verso, escrita todas em versos, inclusive os anúncios. É
patrono de uma das cadeiras da Academia Santista de Letras. A seu respeito
diz Fernando Góes (Pan. V, pág. 157): “Seus versos traem, a todo
instante, a preocupação da forma, que ele próprio confessa, mais de uma vez,
desejar seja impecável!. E S. Galeão Coutinho, no seu prefácio a Flâmulas,
pág. 12, escreveu: “O verso foi para ele o palácio encantado onde se isolava
para entregar-se a orgias maravilhosas de sons coloridos.” (santos, Esta de
São Paulo, 26 de maio de 1891 – Santos, 21 de agosto de 1920).
BIBLIOGRAFIA:
Jornada Lírica; Flâmulas; etc.
17. Aliteração em t.
19. Leia-se com hiato:
“... improvisada/ ur/na”.
28. Não obstante o
poeta, em algumas de suas composições, tais como “introspecção” e “A um
descrente”, deixe transparecer, pelo menos intuitivamente, idéias
reencarnacionistas, pedimos vênia para transcrever-lhe, aqui, o soneto “A
Árvore” (apud Pan. Págs. 157-158), escrito por ele quando se achava no Plano
Físico, a fim de comprovar que “Nem tudo é silêncio” revela a preocupação do
poeta de desfazer a idéia negativa que existe em “A Árvore”:
“Hirta, negra,
espectral, chora talvez. Responde
Seu próprio choro à
voz do vento que a fustiga,
Ela que ao sol floriu
às chuvas, onde
A paz é santa, o campo
é doce, a noite é amiga...
Essa que esconde a
chaga, essa que a história esconde,
Que conhece a bonança
e a borrasca inimiga,
Já foi flor, foi
semente, e, sendo arbusto, a fronde
Ergueu para a amplidão
às aves e à cantiga.
Que infinita tristeza
o fim da vida encerra
A quem já pompeou do
Sol na própria luz.
As flores para o céu e
a sombra para a terra!
Foi semente, brotou...
Árvore transformada,
Sorriu em cada flor; e
hoje, de galhos nus,
Velha, aguarda a
tortura estúpida do nada!”
Livro: “Antologia dos
Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
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