PÁGINA  DE  AMOR

 

          LIVIO BARRETO *

 

         Quiseste renascer, alma querida,

         Disseste haver falido quando amaste...

         E, estrela, desprezando o etéreo engaste,

         Desceste para as mágoas de outra vida.

 

         Hoje, nas sombras, sofres esquecida,

         E eu sofro, por tristíssimo contraste,

         No refúgio de sol que me deixaste

         Entre afagos de dor, à despedida...

 

         Livre, prendo-me a ti, no mar das horas...

         Penso, meditas...Sonho, rememoras....

  11        Meu coração no teu pulsa, violento.

         Embora em pranto, segue que eu prossigo...

         Choras, mas cantarás, enfim, comigo

         Na castália de amor do firmamento.

                                                                                 

  (*) De origem humilde, caixeiro e, mais tarde, modesto guarda-livros, Lívio Barreto foi um artista emérito do verso.

Era, segundo Mario Linhares, “o de mais viva originalidade” do grupo da “Padaria Espiritual”, famosa entidade literária de Fortaleza, da qual foi ele, LB, um dos fundadores, tomando o pseudônimo acadêmico de Lucas Bizarro. Artur Teófilo (in O Pão, ógão da Padaria Espiritual, 15 de Outubro de 1895) informa que LB teve na vida uma paixão que o acompanhou, mais e mais insistente, até à morte.

E acrescenta: “Toda a obra literária de Lívio Barreto não é mais que o diário escrito dessa infeliz paixão, que tão implacavelmente o torturou, impressionando-o muito, roubando-lhe a energia...”

No Libertador , de Fortaleza, estampou “formosíssimos versos de uma suave melancolia a que decerto não era estranha essa por quem, longe da Pátria, ele ansiava ardentemente” (idem, ibidem).Era funcionário da “Companhia Maranhense de Navegação a vapor” quando, moço ainda, desencarnou fulminado por uma congestão cerebral. É patrono, na Academia Cearense de Letras. (Distrito de Ibuaçu , Município de Granja, Ceará, 18 de Fevereiro de 1870 − Camocim, Ceará, 29 de Setembro de 1895.)

 

BIBLIOGRAFIA: Dolentes.

 

         11.Leia-se vio-len-to com sinérese.

 

Livro: “Antologia dos Imortais” - Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira