Um Amigo*
Quis tornar, e voltei da mansão luminosa
Ao sítio que eu deixara em franca primavera.
Entretanto, ai Senhor! É a lágrima que espera
A ilusão que eu guardava, indefinida e
ansiosa...
O caminho de entrada, envolto em giesta e
rosa,
Mostra agora murais de lodo sob a hera,
Transformara-se a casa em medonha tapera,
Monte de pedra e cal sobre a terra arenosa.
Ah! funesta ilusão, que inda agora me
esmagas!...
Esposa, filhos, bens, tudo, tudo fugira,
Nem sequer uma flor que sonhe ou reconforte...
Caio vencido e só... O pranto corre em bagas,
E agradeci chorando os golpes da mentira,
A escola que há no tempo e a lição que há na
Morte!
*O comunicante não se identificou para os
assistentes da reunião a que compareceu pelas mãos do médium.
Livro: “Antologia dos Imortais” -
Psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.