MAS ROGO-TE, SENHOR

 

Maria Dolores

 

Senhor, eu te agradeço.

Não somente

As horas boas da felicidade,

Em que o meu coração tranqüilo e crente

Dá-se ao louvor que te bendiz...

Agradeço igualmente os dias longos,

Em que varo o caminho, a pedra e vento,

Nos quais me ensinos sem barulho, Através das lições do sofrimento,

Como ser mais feliz.

 

Agradeço a alegria

Que me dispensas pelas afeições,

A bênção de ternura,

Em cuja luz balsâmica me põe

Sob chuvas de flor;

E agradeço a amargura

Que a incompreensão me traga,

O estilete da crítica ferina,

Que tanta vez me opine o peito em chaga

Para que eu saiba «mar sem reclamar mais.                                                     

                                                                                                          

Agradeço o sorriso da esperança

Com que me fezes crer na verdade do sonho,

A segura certeza com que aguardo

O futuro risonho

Pela fé natural;

E agradeço-te a lágrima dorida,

Com que me alimpas a visão,

A fim de que eu prossiga, trilhe afora,

Sem caminhar, em vão,

Sob a névoa, do mel.                                                                          

                                                                                                          

Agradeço por tudo o que me deste,

A ventura, a afeição, a dor, a prova,

O dom de discernir e o dom de compreender,

O fel da humilhação que me renova

Para que eu permaneça em ti no meu próprio dever...                                                                                    

Mas rogo-te, Senhor,

Quando me veja

Sob a perseguição e o sarcasmo das trevas,

No exercício do bem,,

Não me deixes perder a paz a que me elevas,

Nem me deixes ferir ou condenar ninguém.   

 

 

Do livro Antologia da Espiritualidade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.