FALANDO  AO  SENHOR

 

Maria Dolores

 

Senhor!

Se hoje viesses em pessoa

Até nós,

Que te diria eu?

Que milhões e milhões de companheiros

Vagam em desatino

Sem cogitarem de saber

O que são e quem são?

Que a penúria de espírito campeia,

Insuflando amargura e rebeldia

 

Sofrimento, ilusão?

Que o medo, em, se alastrando,

Na escura inquietação a que se aferra,

Gera conflito e angústia, em toda parte,

Nos caminhos da Terra?

Que a riqueza do centro não remove

Tristeza e solidão na alma ferida,

Que as engenhos perfeitos do progresso

Não enxugam as lágrimas de vidas

 

Que te diria eu, Jesus, se te encontrasse?

Que nos condoí fitar a multidão

Dos que fogem de si mesmos,

Dando-se à dor maior por onde vão?

Que mos comove contemplar

A inteligência rica e, entretanto, insegura,

Elevando o conforto

Sem saber dissipar as sombras da loucura?

 

Que diria Senhor?

Não te diria nada disso,

Pois sabes tudo ser muito mais do que nós,

Rogar-te-ia tão somente

A bendita prisão

Na força do dever

Que me guarde em serviço,

Para que eu saiba compreender

Sem azedume, e sem alarme.

Como aperfeiçoar-me

Para aceitar-te, enfim,

 

Porque todo, Senhor, estará justo e certo,

Do que eu, veja no mundo, longe ou perto,

Se a tua luz brilhar dentro de mim.

 

 

Do livro Antologia da Espiritualidade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.