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O PIRILAMPO
Emmanuel
Nunca te afirmes imprestável.
Num aldeamento de colonização, surgiu um químico dedicado à
fabricação de remédios pesquisando as qualidades de certo arbusto que existia
unicamente em cavernas.
Detendo informes de antigos, habitantes da região, muniu-se de
lâmpada elétrica, vela e fósforos para descer aos escaninhos de grande furna.
O homem começou a distanciar-se da luz do sol e porque a sombra
se condenasse, acendeu a lâmpada desdobrando uma corda que, na volta, lhe
orientasse o caminho.
A breves instantes, porém, as pilhas se esgotaram. Recorreu
aos fósforos e inflamou a vela, entretanto, a vela se derreteu e os fósforos
foram gastos inteiramente, sem que ele atingisse o que desejava.
Dispunha-se ao regresso, quando viu em pequeno recôncavo do
espaço estreito e escuro o brilho intermitente de um pirilampo.
Aproximou-se curioso e, à frente dessa luz, achou a planta que
buscava, com enorme proveito na tarefa a que se propunha.
Anotemos a conclusão.
Quem não pode ser a luz solar, terá possivelmente o clarão da
lâmpada. Quem não consegue ser a lâmpada terá consigo o valor de uma vela acesa
ou de um fósforo chamejante. E quem não disponha de meios a fim de substituir a
vela ou o fósforo, trará sem dúvida, o brilho de um pirilampo.
ANTOLOGIA DA CRIANÇA
- Francisco Cândido Xavier - Autores Diversos |