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CAPITULO 20
Mirna Lagorga
Aí está o querido Maurício,
irmão e amigo.
Lembro-lhe os conselhos.
Aquele olhar ensaiando
severidade na face do garoto maravilhoso que é meu irmão prodígio!
Sabia ouvir os seus
apontamentos e avaliar respeitosamente a sua austeridade de menino perfeito...
Quando me vi restituída ao
próprio discernimento, alguém velava comigo, entre as enfermeiras desconhecidas, que me amparavam, Vovó Maria,
aquela que foi para a Mãezinha Edith um anjo guardião, me
afagava e me pedia esquecer...
Não era fácil.
Todos de casa, incluindo o
companheiro dos ideais de noivado, estavam comigo.
Ainda ignoro como esclarecer
de que modo me achava ali, numa paisagem diferente e em casa ao mesmo tempo.
Mãezinha, Papai, querido
Mauricio e querido Cuca, a mudança de plano não nos altera.
Sou a mesma, mas realmente
passada a limpo.
O querido amigo será feliz
sem que eu lhe tome a frente ou a retaguarda, todos os dias, dentro de uma casa.
Entre nós não foi cultivada
qualquer idéia de afeição egoísta e possessiva, já sei que se fosse ele o objeto de transferência em que me vi, de
inesperado, teria desejado a mim o que peço a Deus para ele agora - a
felicidade com alguém que lhe faça o caminho terrestre menos áspero.
Isso não é ausência de amor e nem desapego.
É compreensão com amor muito
maior.
Mirna Lagorga
AMOR E VERDADE Francisco
Cândido Xavier - Autores Diversos
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