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...deixe-o conosco...
Lucio Lincoln de Paiva
Nascimento: 06.07.1933
Desencarne: 25.12.1974
Parentesco: Esposo
Se é que posso considerar-me
espírita, desde os quinze anos tive algum conhecimento do assunto, dadas as
circunstancias que envolveram-me.
Tinha uma amiga e namorada de
meu irmão que, naquela época, também contava quinze anos e que por razoes
sentimentais foi levada ao suicídio.
Em nosso convívio tínhamos
afinidades recíprocas muito grande e, naquela mentalidade de criança, fizermos
um pacto: aquela que morresse primeiro, viria buscar a outra.
Traumatizada com o seu
passamento e devido ao acordo, fiquei atemorizada esperando a morte a qualquer
momento. Passado certo tempo, sonhei que ela viera buscar-me. Nessa ocasião
namoriscava um rapaz que era espírita. Recebia vários convites de seus pais para
que fosse ao centro espírita que freqüentavam. Algumas vezes acedi ao convite.
Isso passou-se três anos após o seu desencarne. O sonho foi assim:
- “Via-me subindo uma rua,
quando percebi que minha amiga descia em minha direção. Delicada, graciosa,
muito jeitosa, exatamente como era quando encarnada. Usava a mesma roupa do dia
de sua partida.”
Frente a frente, perguntou-me
pelo meu irmão.
Respondi-lhe que ele estava
no consultório de outro irmão. Na realidade ele estava em companhia de sua atual
esposa.
- “Você está mentindo. Ele
está com outra”.
Foram as suas palavras. Voltou-se uns dez passos e num gesto apontou-me e
continuou: - “Não vim à procura de seu irmão, vim buscá-la. Não se lembra do
nosso pacto? Está na hora, vamos!”
Eu tremia sem saber o que
fazer, apavoradissima. Nesse momento chegaram a mãe e a irmã do rapaz que eu
namorava. A senhora percebeu o que se passava. Sua filha perguntou-lhe porque
ela não via moça e nós sim. A mãe carinhosamente, esclareceu-a:
- Minha filha, isto se dá
com pessoas que tem mediunidade de vidência, portanto, quem não tem não vê.
Dirigiu-se depois à minha
amiga explicou-lhe que ali não era seu ligar e sim no alpendre da sua casa. Ela
aceitou e começou ir embora, mas, antes queria que eu lhe desse um abraço. Mais
calma, aceitei. Quando dirigia-me para abraçá-la, pediu-me que não fizesse,
dizendo-me: “Não Edine, não me abrace, eu sou morta!” nisso a senhora
levou-me para casa e quando cheguei à porta, vi-a acenando para mim.
Esse sonho preocupou-me
muito.
Algum tempo depois,
freqüentando os trabalhos da Doutrina Espírita, desenvolvi a mediunidade da
vidência.
Este relato foi apenas para
mostrar aos caros leitores como me encontrei na doutrina. Passado muito tempo,
conheci Francisco Cândido Xavier, quando Lucio Lincoln de Paiva, meu marido,
fez-lhe um convite para participar de uma conferencia em nossa Assembléia
Goiana.
Na oportunidade, numa rápida
passagem por nossa casa e para meu registro, exalou um perfume tão suave,
acompanhado de ter, que perfumou todo o ambiente de meu lar.
Quando da morte de Lucio,
apesar de ser espírita, desesperei-me chegando mesmo a pensar seriamente em
suicídio. Não entendia o porque daquela provação. Achava injusta a passagem de
Lucio.
O tempo passava e eu cada vez
mais desesperada. Meu marido era demais apegado a vida. Fiquei imaginando como
ele estaria do outro lado. Sentia vontade de procurar Chico Xavier, pois tinha
certeza de que em sua presença receberia uma mensagem reconfortante.
Certo dia, recebo a visita de
Chico em minha residência. Demorou-se mais que da primeira vez. Nessa
oportunidade recebi uma mensagem do Dr. Bezerra de Menezes, explicando que o
Lucio ainda não estava em condições de trazer mensagem. Cursava a escola do
espaço e que tão-logo se restabelecesse, escreveria.
Apesar desse recado
confortador, continuei na expectativa, pois grande era a minha ansiedade. Passei
então a visitar o Chico em Uberaba.
Para minha felicidade, na
primeira viagem enquanto aguardava o andamento dos trabalhos, vi quando Lucio
adentrou o ambiente. Estava amparado por um senhor que eu desconhecia e que
posteriormente foi identificado pela mensagem como Dr. Bezerra de Menezes. Esta
identidade, aliás, foi depois confirmada através de uma foto que me veio às
mãos.
Já muito emocionada com
aquela visão, não agüentei quando Chico recebeu sua mensagem. Chorei muito. O
público ali presente ficou impressionado em presenciar a profundidade e o número
de paginas psicografadas, totalizando 94 laudas.
Lucio tinha o dom da oratória
e gostava muito de escrever. Acredito que foi o motivo pelo qual o Chico sofreu
todo esse tempo de hora e meia, para trazer a mensagem.
Quando ele começou a ler,
cada frase, cada vocábulo identificavam fielmente o Lucio. As palavras
“célere” e “burilados” eram-lhe muito familiares. Usava-as com
freqüência. Outro ponto que emocionou-me ainda mais, foi quando Chico leu:
“...o essencial, no entanto, querida é que vim para dizer que ouvi tudo o que
seu carinho me falou diante do retrato que a sua dedicação transformou em altar
do nosso encontro quase permanente...” Eu conversava com seu retrato.
Outras impressões mais, como
nomes de pessoas, foram tantas que é impossível o Chico ter conhecido todas. Os
lugares em que Lucio andou no curso do seu trabalho, foi tudo relatado. E o
Chico não acompanhou-o. Os nomes de todos os nossos filhos, a madre Otavia, que
eu e nem Lucio conhecíamos e o final da mensagem veio exatamente como ele
costumava me escrever, sem contar à assinatura que estava perfeitamente igual.
Depois disso, senti-me
completamente reabilitada, conformada.
Tive a convicção de que Lucio
estava bem. Criei novas forças. Sei que estamos lutando juntos novamente. No dia
da recepção da mensagem, recebi um passe do Chico. No momento da concentração,
senti novamente aquele perfume suave, que reanimou-me mais ainda, física e
espiritualmente.
Em vista de todos esses
acontecimentos, já admirava o Chico pela sua humildade, pela paciência que
sempre teve com todos os que o procuram e, essa admiração cresceu para mim, pelo
muito que ele me proporcionou.
Para Chico, devemos
simplesmente rogar a Deus: ”Deixe-o conosco”.
Após o recebimento da
mensagem, meus familiares, apesar de não serem espíritas, nutrem pelo Chico
grande respeito pois tiveram a oportunidade de presenciar coisas que não
entendiam.
Para finalizar: “Muito
obrigado Chico, pelos 50 anos de amor, trabalho e carinho”.
Ediné Almeida Silva de Paiva
Livro Amor e Luz - Psicografia Chico Xavier |