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...TRAZEM NOS A LUZ, O AMOR DE DEUS...
Horacio Gonçalves
Pereira
Nascimento: 11.03.1874
Desencarne: 05.11.1930
Parentesco: Pai
Meu primeiro encontro com
Francisco Cândido Xavier, foi em 17.08.1951, quando fui a Pedro Leopoldo em
companhia de Pietro Ubaldi, Dr. Clovis Tavares e Antonio Batista Lino, tendo
sido apresentado antes pela Sra. Zaira Junqueira Itt, pessoa muito querida do
Chico.
Nessa ocasião, Jesus
ofertou-me a oportunidade de co-participar de uma reunião na Fazenda Modelo, com
a presença do Dr. Rômulo Jovino, quando nosso querido Chico recebeu uma mensagem
de Francisco de Assis, endereçada a Pietro Ubaldi, impressa no livro
Conferencias no Brasil, Editora O Pensamento.
No advento dessa mensagem,
Pietro Ubaldi também recebia a sua, Vós, o seu guia Espiritual o presenteava com
sua presença. Muito admirados e emocionados, percebíamos o ambiente se tornar
aos poucos todo iluminado. Sentíamos a grande elevação espiritual que aqueles
momentos possuíam.
O interessante é que os
participantes, em número de doze, vieram de vários estados brasileiros e
maravilhados com o acontecimento não cansavam de comentá-lo entre si.
Pietro Ubaldi,
emocionadissimo, não só com o conteúdo dessa riquíssima mensagem, como também e
especialmente pela maneira profunda da identificação com as suas necessidades e,
em vista disso, muito a comentou durante o nosso período de regresso.
Posteriormente, mantivemos
novos encontros, dentre eles, recebemos em 1952 uma mensagem de minha mãe (Alvina
Rodrigues Gonçalves Pereira). Nessa mensagem trouxe-nos novas provas de grande
valia, com identificações relacionadas com os familiares. Deu-nos bases para
confirmar o valor da mediunidade de Francisco Cândido Xavier.
Destacando como um dos
valores acima mencionados, os nomes dos meus irmãos e de meu pai Horacio
Gonçalves Pereira, que não tinham sido mencionados ao Chico, mas pensava neles
no momento.
A questão da filha mais
velha não aceitar o espiritismo, foi comprovada, pois, em tempo oportuno, ela se
tornou espírita, assumindo responsabilidades e tarefas na evangelização da
infância e juventude. Assim suas irmãs Jeny e Eny.
Para que os leitores
possam ter uma idéia do que mencionamos, a seguir transcrevemos a mensagem.
“Pedro Leopoldo, 7 de Junho de 1952.
Filho do meu coração,
Deus abençoe todos os seus passos, amparando sempre as suas realizações.
Se o coração pudesse
falar com letras o que lhe vae por dentro, por certo, as lágrimas de alegria que
eu choro estariam neste papel como notas de luz do amor que nos une para sempre.
Quisera ter aqui, ao meu lado, igualmente, a nossa Luiza e as minhas queridas
netas para envolvê-las no mesmo cântico de jubilo e reconhecimento. Entretanto,
seu lar é para nós um santuário e, sempre que me é possível, lá me encontro,
rogando ao Senhor nos conceda a felicidade de viver invariavelmente unidos em
nosso ideal de renovação.
Meu filho, tantos annos
passaram, mas o amor não se modifica. O tempo é como uma veste do nosso espírito
– a roupa se altera, mas nossa alma permanece acima de todas as transformações e
de todos os reajustes.
Do passado até agora,
muita mudança poderíamos registrar... Graças a Deus, porém, e digo-o com santa
vaidade no coração, a maior de todas foi o seu crescimento e a sua fidelidade ao
bem. Lembro-me dos dias em que conservando você tenro e pequenino, junto do
peito, pedia a Deus fizesse de seu destino uma linda história de auxilio e
triunpho para a nossa casa. Via Horacio lutando e pensava – “hoje será difícil,
mas os meninos serão homens e tudo melhorará”. Agora encontro em nosso caminho
às bênçãos de seu esforço. Quando chego à sua casa, meu filho, tenho a idéia de
que as gottas do seu suor se transformaram em flores de luz. Na bondade de sua
companheira que considero filha de minhalma e no carinho das pequenas, encontro
tudo aquilo que eu sonhei para o futuro.
Louvado seja Deus que
ouviu nossas preces e santificou a nossa boa vontade.
Você pergunta por seu
pae e devo dizer-lhe que elle vae passando bem, enriquecendo-se para a vanguarda
do serviço que o espera no porvir.você sabe que nada existe sem preço e as
conquistas espirituais reclamam muito esforço. Horacio tem realizado muito e já
collabora até mesmo em sua missão de amor. Lucinda tem actualmente lutado
bastante. Amélia, a nossa Amélia querida, conta outras tarefas que não me é
permitido relacionar agora e o nosso Benedicto continua merecendo a nossa
carinhosa attenção. Sei que você tem feito por nós quanto pode fazer, em
sacrifício e ternura, um filho e um irmão, dedicado ao nosso bem, contudo, peço
ainda a você e à nossa Luiza não se desanimarem com as lutas. Há corações que se
ligam aos nossos, obedecendo ao pretérito afflictivo e escuro e que devemos
amparar, de longe ou de perto, sem desalento.
As mães, meu filho, não
adormecem. Nosso amor é como uma raiz viva e persistente no fundo da terra-ainda
que a foice nos decepe os ramos renascentes, continuamos invisíveis embora, na
profundeza do solo dos sentimentos, buscando meios de voltar para d]redimir,
auxiliando e sustentando sempre.
Em casa, a nossa Alvina
tem recebido toda a nossa dedicação. Ella é uma herdeira afortunada de grande
cultura da intelligência e se tem ainda certas difficuldades para acceitar o
Espiritismo, em sua feição integral, tempo virá em que esposará nossos
princípios de hoje com todos os primorosos recursos de seu cérebro e de seu
coração para o desempenho das lindas tarefas que trouxe ao renascer. Esperemos e
confiemos.
Desnecessário será
dizer a você que contamos sempre com o seu devotamento e com a sua comprehensão.
Filho querido, a única
identidade que nos torna reconhecidos, além da morte, é aquella que procede das
boas obras. A caridade é a nossa luz pra o grande caminho que o futuro nos
descortina. Não se canse de espalhar-lhe as bênçãos. E não olvidemos que soffrer
para auxiliar é sempre o maior privilegio para o coração ligado a Jesus.
Que Deus nos abençoe e
nos illumine. E reunindo você, Luiza e as netinhas no meu abraço, cheio de
carinho e de reconhecimento, sou, com todo o coração, a mãezinha muito amiga que
não os esquece.
Alvina”
Continuando ainda em novos
encontros em Pedro Leopoldo com Chico Xavier, tivemos oportunidades de aprender
o valor da Doutrina Espírita, assimilando mais as obras de Allan Kardec, através
da leitura dos livros de Emmanuel, André Luiz, Humberto de Campos, Batuíra,
Meimei, Auta de Souza e mensagens de Scheilla, permitindo-nos ainda receber do
médium Chico Xavier exemplos edificantes de trabalho, perseverança, humildade,
renuncia, amor e fidelidade a Doutrina que nos permitiram desenvolver as nossas
atividades nas Obras assistenciais da Federação Espírita do Estado de São Paulo,
mostrando, conforme mensagem recebida na mesma data da recebida de mamãe Alvina.
Seu titulo, MEU AMIGO, MUITA PAZ. Junho de 1952. Seu conteúdo veio traçar um
roteiro de luz e amor para as obras assistenciais espíritas, despertando-nos
para as responsabilidades de vivencia do Evangelho na pratica da caridade, que é
o Amor em ação. (conforme nos diz André Luiz). Vamos à leitura dessa beleza de
mensagem.
“Meu Amigo, muita paz.
A assistência social é
a fraternidade em aço.sem ela, indiscutivelmente, os nossos mais preciosos
arrazoados verbalísticos não passariam de belos mostruários sonoros.
É necessário teorizar
com o exemplo se desejamos argumentar com eficiência e segurança, no campo de
nossas realizações.
Se é verdade que as
obras sem ideal são primorosas esculturas da arte humana, sem o calor da vida, a
fé sem obras, segundo já nos asseverava a palavra apostólica, há quase dois mil
anos, não passa de um cadáver bem adornado.
A escola, a
maternidade, a creche, o hospital, o refugio de esperança aos viajantes da
amargura, o albergue, o posto de socorro, a visitação fraterna aos doentes e aos
necessitados, a palestra amiga e confortadora, a casa de desobssessão, o auxilio
de emergência aos companheiros de angustia, o amparo aos irmãos presidiários, a
cooperação metódica nos centros especializados de tratamento, quais seja os
sanatórios, os hospitais e os leprozoarios, a contribuição desinteressada,
enfim, a dor de todos matizes e de todas as procedências, desafiam a nossa
capacidade de imaginar, organizar e fazer, afim de que possamos momentalizar a
nossa Doutrina de Amor e Luz no mundo vivo dos corações.
Trabalhemos,
auxiliando-nos uns aos outros. Somos associados de uma só empresa de redenção,
usando o sentimento, o raciocínio, as mãos, a palavra, a tribuna, a imprensa e o
livro para o mesmo glorioso desiderato.
Conscientes, pois, de
nossas responsabilidades, marchemos para diante, sob a inspiração do Cristo,
Nosso senhor e Mestre, entrelaçando braços e corações na mesma vibração de
otimismo e esperança, serviço e sublimação.
Hoje é o nosso dia.
Agora é o momento. A luta é a nossa oportunidade. Ajudar é a hora que nos
compete.
Sigamos assim,
destemerosos e firmes na certeza de que o Senhor permanece conosco e,
indubitavelmente, alcançaremos amanhã a alegria e a paz do mundo melhor.
Emmanuel”
Em outras oportunidades,
estávamos certa madrugada entre os pés dos eucaliptos, quando um grupo de estudo
de astronomia estava examinando as estrelas e a lua. Alguns companheiros
começaram a comentar que somente a terra era um plano habitado. Adentrávamos a
madrugada com esse comentário, quando compareceu o espírito de André Luiz e
através de Chico Xavier comentou:- “Observando seus comentários que somente a
terra tem condições de ser habitada, achei conveniente mencionar aos nossos
irmãos que essas opiniões ser esclarecidas e, para isto, imaginemos o oceano
Pacifico, como o é, o maior da terra e, joguemos uma laranja em seu meio,
comparando, como se a laranja fosse do tamanho da terra, e o oceano o infinito,
e nós seus habitantes. Pergunto, como ficaria o resto?
Consideramos portanto o
ensinamento de Jesus quando nos disse: “Há muitas moradas na casa de meu
pai”.
Nos contatos subseqüentes
com Chico, o acompanhamos em muitas tarefas de Assistência Social, aos
carecedores de auxilio, quando realizávamos juntos, visitas diurnas e noturnas
nos lares mais humildes nos arrabaldes da cidade. O Lar dos Velhinhos “Lindolfo
Ferreira”, demonstrava-nos mais uma atividade como vivência do Evangelho.
Finalizando a fase em
Pedro Leopoldo, ainda, em reuniões da Doutrina na cidade de Matozinhos,
chegou-nos uma mensagem através de sua psicografia, de Irene S. Pinto, quando
mencionava a sua presença no encaminhamento de uma irmã a ser atendida em São
Paulo. Para que testemunhássemos a autenticidade e a veracidade de seus dizeres,
colocou-nos em mãos, número, rua e local onde jazia seu túmulo.
Para nós, confiantes em
sua mensagem, deixamos de verificar, mas, com o passar dos tempos, recebemos
através do Dr. Walter Gonçalves, que na oportunidade exercia a função de
Engenheiro Supervisor dos Cemitérios na Capital de São Paulo, sabendo de nossa
ligação e conhecedor da mensagem de Irene, gentilmente enviou-nos a foto do seu
túmulo, onde constava todos os detalhes mencionados em sua mensagem.
Motivado por todo esse
aprendizado e exemplos de amor e dedicação de Chico Xavier e, através das
mensagens recebidas dos nossos Benfeitores Espirituais, trouxe-nos a necessidade
de ampliarmos nosso programa da Federação Espírita do Estado de São Paulo,
levando-nos à criação da Casa Transitória. Baseada nas obras mediúnicas de André
Luiz, nos volumes do Nosso Lar e Obreiros da Vida Eterna, quando recebemos a
mensagem de Batuíra, que nos trouxe orientação e incentivo mencionando a
necessidade urgente na construção desta obra. Trecho da Mensagem
Batuíra/novembro de 1954:
“...Nesse sentido, a
Casa Transitória, com os serviços assistenciais que nos dizem respeito, surge,
sempre mais imperiosa, mais urgente.
Não desconhecemos o
acervo dos problemas que a edificação e consolidação da obra exige em si, mas
contamos igualmente com a infinita bondade do Senhor que não nos olvidará em Sua
ilimitada misericórdia. Cremos realmente que situar a instituição, na parte
central de nossa cidade seria de momento uma iniciativa impraticável,
entretanto, o meio-termo para a localização da obra será indiscutivelmente a
solução ideal do problema. Nem o agravo de responsabilidades materiais no centro
urbano, nem as dificuldades da distancia excessiva nas regiões que lhe sejam
vizinhas.
Daí, o motivo pelo qual
consideramos de grande oportunidade o teu entendimento com os irmãos da
Assistência, tanto quanto com as autoridades que nos dirigem o instituo
venerável a fim de que o assunto possa ser estudado em alicerces tão sólidos
quanto possíveis.
Guarda, contigo, a
certeza de que não estarás sozinho no trato da questão...”
Durante o período de
implantação, em nossas horas difíceis, recebemos incentivo, orientação, amparo e
sustentação do mundo espiritual.
Devemos agradecer a Jesus
que nos permitiu conhecer o médium Francisco Cândido Xavier e que no andamento
dessa obra, proporcionou a oportunidade de auxiliar milhares de irmãos nas suas
necessidades, exercitando na pratica a vivencia da Doutrina Consoladora que,
como ensinou Allan Kardec “Fora da caridade não há salvação”.
De uma maneira mais ampla,
devemos assinalar ou destacar o exercício da mediunidade de Francisco Cândido
Xavier, da Luz e do Amor, não só pelas comunicações dos Espíritos Benfeitores
que nos trouxeram esclarecimentos do Evangelho do Senhor, como também nos
exemplos que Chico Xavier nos ofereceu em todos os instantes, quer nos trazendo
o amparo através dos órgãos noticiosos como jornais, revistas e televisões, como
por exemplo, o programa Pinga-Fogo, e junto as Autoridades Públicas, onde
recebeu o titulo de Cidadão em varias cidades e capitais do Brasil e, com toda
humildade transferiu os valores desses títulos à Doutrina Espírita.
Mostrou-nos com isso, a
renuncia e o devido valor dos nossos Benfeitores Espirituais, demonstrando mais
uma vez, que o amor ao trabalho edificante só nos trará a consciência de que a
caridade em prol do nosso semelhante é e será sempre reconhecida por aqueles que
compreendem, respeitem e reconhecem o valor da mediunidade a serviço de Cristo.
Traz-nos a alegria, paz e
a certeza, que no amanhã estaremos nos reunindo na Pátria Espiritual, onde
iremos reconhecer que o aprendizado trazido e aceito, colocou-nos na condição de
reconhecidos e devedores a esse médium querido, Francisco Cândido Xavier.
Nosso reconhecimento ainda
se estende num pedido a Deus: que lhe dê as forças necessárias e, que Francisco
Cândido Xavier não fique só nos 150 livros, que continue no seu trabalho
mediúnico, a nos dar a palavra desses irmãos que incansavelmente trazem-nos à
luz, o Amor de Deus.
José Gonçalves Pereira
Livro Amor e Luz - Psicografia Chico Xavier |
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