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NO CAMPO DE PROVAS
Emmanuel
Ferir o corpo com a
desculpa de conquistar a ascensão da alma é operar o suicídio indireto,
pelo qual menosprezamos a Infinita Bondade que no-lo empresta, a fim de
que o sol do progresso nos assinale a existência.
Atendendo as sugestões
dessa ordem, copiaremos, insensatos, a decisão infeliz do lavrador que
destruísse a enxada que o serve, na suposição de auxiliar ao campo, ou o
impulso delituoso do operário que desorganizasse as peças da máquina que o
obedece, a pretexto de ser mais útil.
O engenho físico é o
templo em que somos chamados à escola da regeneração.
Nele possuímos a harpa
da vida, em cujas cordas podemos desferir a melodia do trabalho e do
sacrifício, da abnegação e do amor, preparando o próprio acesso à
exaltação da imortalidade.
O cilício mais precioso
ao nosso grande futuro será sempre o da própria renunciação em benefício
da felicidade dos outros, aprendendo a ceder de nossas opiniões ou de
nosso conforto em auxílio dos corações que nos partilham o calor do teto,
os quais, muitas vezes, em provação mais árdua do que a nossa, nos
reclamam entendimento e bondade ao preço de nossa dor.
Saibamos sorrir entre
lágrimas, fatigar-nos no amparo aos que Deus nos confia, emudecer nossa
excessiva agressividade, abraçar quem nos fere e apagar nossos próprios
sonhos, a fim de que a segurança e a tranqüilidade se façam junto de nós
naqueles que nos comungam a experiência e somente assim nossa exaustão
corpórea será compreensível e justa, porquanto, de nosso cansaço terá
nascido a ventura daqueles que atravessam conosco o vale da sombra
terrestre, à procura da luz inextinguível, que reina, soberana, na
Espiritualidade Maior.
Quanto mais clara
a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais
sublime as nossas noções do bem, mais imperiosos os nosso deveres de
socorro às vítimas do mal.
Livro:
ALVORADA DO REINO - Francisco Cândido Xavier - Emmanuel
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