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ARTE E
VIDA
Maria Dolores
Dizem que, em plenos céus, encontraram-se,
um dia,
A cigarra cantora e a formiga prudente,
Mas deixando de longe a fábula dos homens
A fala do Senhor foi muito diferente.
Ele disse à formiga: “Sê bendita,
No esforço que fizeste...Embora pequenina,
Ensinaste na Terra as lições do trabalho,
Exaltando o valor da disciplina.
Construíste, guardaste, entesouraste,
Reservando celeiro ao próprio excesso,
E demonstraste aos homens quanto vale
A previdência ao culto do progresso.
Bendita seja, por que promoveste
A união de teus grupos e parentes...
Será na Terra o símbolo do apoio
Com que se deve amar aos próprios
descendentes “...”.
Tendo havido uma pausa, a formiga contente
Talvez ansiando armar algum ingênuo
enredo,
Desejou complicar a amiga desprezada
Que vivera cantando no arvoredo.
Mas o Senhor voltando ao verbo alto e
sereno,
Decidiu-se expressando a própria Lei:
-“E, quanto a ti, cigarra, sê louvada
Pela atenção no encargo que te dei.
Raros homens souberam perceber-te
Na elevada missão de que foste investida,
O Céu determinou cantasses, embalando
A natureza em luta, ante as ordens da
vida.
Cantavas sem prender-te a tesouro e
celeiro,
Sabendo que eu jamais te negaria,
Pensamento e palavra, harmonia e beleza
Para a bênção do pão de cada dia.
Viajores prostrados de cansaço,
Ao ouvir-te as canções, guardando-as na
lembrança,
Refaziam a fé nos poderes da vida,
Prosseguindo a jornada ao toque da
esperança...
Troncos ao sol do estio, ressecados,
Erguendo-te a voz, aguardava, em prece,
O regresso da chuva a cobri-los de
flores...
Cantavas e a coragem retomava
Lares e prados, montes e caminhos,
Derramavas a música no Espaço
Alcançando os jardins, as árvores e os
ninhos...
E muitas vez, cantavas de tristeza
Sem que ninguém te visse a solidão,
Mas atendeste aos Céus que te pedia,
Servir cantando em forma de oração.
A formiga é a prudência apoiando o
progresso,
Para que a Terra lute e evolua, a
contento,
Entretanto, cigarra, será sempre,
A inspiração de luz do firmamento ““.
Artista, aceita a vida, embora as dores
Que a vida em si te impõe, sem
compreende-las,
O progresso constante é a grandeza do
mundo,
A arte, porém, pertence ao País das
Estrelas.
Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco
Cândido Xavier
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